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  • Matheus Mans

Crítica: 'Sweat' analisa solidão de hiperconectados


São vários os filmes que falam sobre os problemas da hiperconexão. Começa desde a questão seminal em A Rede Social, passando por documentários provocativos como O Dilema das Redes e The Great Hack e até produções que avançam para o suspense ou alguma história "de gênero", como Amizade Desfeita, O Círculo e Ingrid vai para o Oeste. Agora, é exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo um bom filme polonês sobre o tema: Sweat, ou Suor.


Dirigido e escrito por Magnus von Horn, o longa-metragem acompanha a história de Sylwia (Magdalena Kolesnik), uma jovem polonesa que é sucesso nas rede sociais. Ela tem quase 600 mil seguidores e se tornou referência na Polônia quando se fala em cuidados, saúde, exercícios físicos e bem-estar. No entanto, na intimidade, as coisas não vão tão bem. Ela não tem namorados, não tem grandes amigos e tudo ao seu redor parece falso, frágil e pouco profundo.


Assim, seguindo por um caminho mais Ingrid vai para o Oeste e Ferrugem do que O Dilema das Redes, o filme de von Horn não se preocupa tanto em falar sobre o meio, sobre as redes sociais. A preocupação de Sweat está mais focado em observar e permitir que o espectador mergulha na vida daqueles que perecem ter um cotidiano perfeito, sem falhas. Será que isso existe de verdade? Será que há vida real, como dor e depressão, por trás dos filtros do Instagram?

Von Horn traça bem essa discussão, principalmente muito ancorada na atuação potente de Magdalena Kolesnik, mais conhecida por seus papéis para a TV. Ela consegue transitar com facilidade entre as emoções e situações, no entanto sempre deixando uma pontinha do outro lado a cada momento. Ou seja: quando ela está com sua "máscara" de influenciadora, é possível ver a solidão no olhar. Quando está sofrendo com o isolamento, percebe-se sua fama no tratar.


A partir disso, o roteiro de Von Horn vai se aprofundo nesse sentimento, que entra em choque com outras coisas ao redor da personagem -- como o stalker, a mãe, o ficante, a imprensa e por aí vai. Há um clímax muito forte, assim como um desenvolvimento consistente da protagonista. No entanto, há de se destacar que o diretor acaba se perdendo um pouco lá pelo ato final. Tenta abraçar muitos temas e se afasta um pouco do cerne da questão. As coisas ficam mais frouxas.


No entanto, ainda assim, lá no final encontramos uma mensagem sobre interessantíssima. É tempo de desconstrução das redes sociais. Algo importante num tempo em que os jovens se espelham no mundo impossível. Como diria Gabriel García Márquez, “a fama é capaz de fabricar a maior a mais pavorosa das solidões. Esta solidão da fama só é comparável à solidão do poder. O poder absoluto é a realização mais alta e completa do ser humano. E por isso, resume, ao mesmo tempo, toda a sua grandeza e toda sua miséria". Dito isso, nada mais a acrescentar.

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