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  • Matheus Mans

Crítica: ‘The Boys in the Band’, da Netflix, acaba perdendo pelo cansaço


Filmes baseados em peças de teatro sempre são um problema. Ainda que Hamilton tenha feito sucesso por aí com uma apresentação teatral gravada, geralmente o tom e a linguagem não casam. O filme fica verborrágico demais, até mesmo cansativo. É o caso de Fences, por exemplo. E, também, da recente estreia da Netflix, The Boys in the Band.


Segunda adaptação dessa peça, o longa-metragem tem uma premissa bem simples. Sob direção de Joe Mantello (de Entre Amigos), The Boys in the Band conta a história de um grupo de amigos que se reúnem numa noite de 1968, em Nova York. Todos eles são gays. A partir daí, com a chegada de um convidado inesperado, a noite toma um estranho rumo.


Extremamente verborrágico, o longa-metragem chama a atenção logo de cara pela boa performance do elenco -- todo formado, também, apenas por atores gays. Jim Parsons mostra que é bem mais do que o Sheldon, com um personagem provocativo e irreverente. Também chamam a atenção Zachary Quinto, Matt Bomer, Tuc Watkins e Charlie Carver.

Além disso, conforme a trama avança, percebe-se a atualidade do roteiro adaptado de Mart Crowley, também autor da peça. Ainda que tenha sido escrito originalmente nos anos 1970, o texto fala muito sobre preconceito, homofobia, violência contra minorias e, principalmente, o medo que muitos homossexuais tem em se revelar ou, ainda, demonstrar amor e carinho.


Por essa perspectiva, aterrorizante de ainda ser atual mesmo décadas depois, The Boys in the Band é necessário, interessante e urgente. Funciona ao trazer assuntos para discussão. Além disso, a boa direção de Mantello -- que segue os passos do produtor Ryan Murphy (de American Horror Story) também propiciam alguns pontos a mais para o longa-metragem.


No entanto, voltemos à questão da adaptação de peças: o ritmo é extremamente cansativo. É verborrágico demais, chato em alguns momentos. A sensação é que The Boys in the Band é um filme que não dá tempo pra história respirar, tampouco o público. Fica preso no texto de teatro que, de maneira alguma, pode ser colocado direto nas telas do cinema.


E isso, querendo ou não, tira muito o peso do filme. Não o torna ruim, nem nada disso. Mas não é brilhante, tampouco memorável. É um filme interessante, com algumas boas mensagens e reflexões, mas que não consegue ultrapassar os limites e os desafios inerentes da adaptação de uma peça. Tenha paciência, se agarre nas atuações e bom filme!

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