Crítica: ‘Toy Story 5’ é o filme mais genérico e desimportante da franquia
- Matheus Mans

- há 6 horas
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Como falar sobre brinquedos em 2026? Crianças estão crescendo cada vez mais rápido, estão inegavelmente conectadas e os brinquedos, antes parte essencial da vida dos pequenos até a pré-adolescência, começam a sumir mais cedo. O presente de 10 anos já não é o brinquedo da moda, mas sim um smartphone -- conectado e interligado com todos os colegas da sala. É justamente olhando para essa problemática que surge Toy Story 5.
Estreia desta quarta-feira, 17, o longa-metragem mostra Bonnie como uma das últimas crianças da região que ainda brinca com Jessie, Buzz, Bala no Alvo, Slink, Sr. e Sra. Cabeça de Batata, Rex e afins. Todos os outros estão mergulhados em telas. Se sentindo sozinha, ela acaba ganhando de presente a Lilypad, um tablet conectado e que se torna o principal ponto de ligação entre a garotinha e as colegas de sala na escola.
É a partir daí que a turma de Buzz fica realmente preocupada. Veem que a era dos brinquedos está chegando ao fim. O tablet passa a ter um papel central na vida de Bonnie, enquanto os brinquedos são escanteados e, até mesmo, se tornam motivo de chacota.
Toy Story 5, assim, entra tardiamente nessa conversa e tenta entender como isso afeta as crianças. Será que é realmente saudável deixar uma criança grudada em um dispositivo eletrônico durante boa parte do seu dia? Essa pergunta salta aos olhos do público e dos brinquedos, que inclusive chamam de volta Woody para ajudar -- matando, assim, talvez o único desdobramento importante que aconteceu em Toy Story 4, além do Garfinho.

É um sinal de que a Disney-Pixar tenta novamente revigorar sua franquia mais importante enquanto tenta falar com o sinal dos tempos. É uma mudança importante de postura com o que aconteceu nos três primeiros filmes, que falam diretamente sobre o crescimento de Andy e do público ao mesmo tempo. Agora, com Bonnie e um público bem diverso, que vai desde o adulto até as crianças bem pequenas, o estúdio busca se comunicar com todos e passam a entender mais sobre a dinâmica dos brinquedos (esquecidos, preteridos, etc).
É inegável dizer que há uma conexão com a preocupação de muitos pais por aí e, principalmente, Toy Story 5 pode servir de alerta para as crianças que entram em contato com a história. No entanto, meio que para por aí. Enquanto os três primeiros filmes trouxeram boas histórias, com o terceiro longa sendo uma animação que soube se comunicar diretamente com o público que cresceu assistindo aos filmes da franquia, esta nova fase com Bonnie anda em círculos e parece não ter vida, nem vontade própria.
São pequenas ideias, jogadas aqui e ali, tentando entender o papel do brinquedo nesse novo momento de hiperconectividade. Começou com o drama dos brinquedos perdidos no quarto longa e, agora, se desdobra para essa trama sobre o fim de uma era. Boa sacada, sem dúvidas, mas ainda sem a vitalidade que Toy Story mostrou nas décadas passadas.
A grande tentativa de ir além aqui se concentra principalmente na história de Jessie, o brinquedo mais preocupado com Bonnie e com o futuro de seus “colegas". É interessante esse deslocamento narrativo, mas a Disney-Pixar sequer tem coragem de manter o foco total na cowgirl. Woody volta, Buzz está sempre na tela -- e com outros 50 brinquedos iguais à ele aparecendo na mesma história. Mostra que o estúdio realmente não está tão convencido dos rumos que a história está tomando. Não tem coragem de seguir em frente.
Afinal, se tivesse, Woody sequer apareceria -- oras, Toy Story 4 serviu para ele ir embora ajudar brinquedos perdidos. Buzz também poderia já ter um papel reduzido, talvez, ou até mesmo ter alguma proposta mais heróica como foi com Woody no anterior. Difícil não pensar que isso poderia acontecer quando aparece o bando de bonecos do Buzz em certo momento do filme, mas a Pixar recua e volta a jogar no seguro, com medo de arriscar.
Toy Story 5, assim, é um filme com uma boa ideia, ainda que um tanto atrasada, mas que nunca encontra uma boa história. São receios demais ao redor da franquia, assim como preocupações sobre como lidar com seus personagens. Não existe coragem de tirar Woody da jogada, tampouco o Buzz. Afinal, eles vendem muito brinquedo por aí. E não dá para pensar no final: será que toda essa premissa de Toy Story 5, por mais bem intencionada que seja, não serve também para a Disney voltar a vender brinquedos como antes? Será que não é o jeito da Disney brigar com a Apple de frente? Vira, assim, quase um filme institucional. E isso é pouco demais para uma das histórias mais importantes da animação.




