• Bárbara Zago

Crítica: 'Uma Nova Chance' é mistura fraca de clichê com autoajuda


Jennifer Lopez não é a melhor atriz em atividade de Hollywood, mas ela sempre chama a atenção em seus trabalhos. Afinal, ainda que suas atuações sejam sempre medianas, ela conseguiu emplacar um ou outro sucesso ao longo de sua carreira, como os divertidos Plano B e A Sogra. Por isso, é inevitável que seu novo lançamento, Uma Nova Chance, chegue aos cinemas nesta quinta-feira, 31, cercado de expectativa, podendo ser mais um desses acertos divertidos. No entanto, que decepção: o novo longa-metragem é apenas clichê após clichê, sem trazer nada novo ou surpreendente ao público em geral.

A trama acompanha a vida de Maya (Lopez), uma vendedora que se frustra cada vez mais em sua carreira por não conseguir ascender profissionalmente. Afinal, ainda que ela tenha mais de dez anos de experiência, não possui um diploma universitário. Eis que, em seu aniversário, ela deseja que o conhecimento prático valha mais do que uma formação. E aí nem precisamos dar mais detalhes. A história se desenrola com clichês e obviedades de autoajuda, descambando para um caminho que não surpreende e agrada.

Com inúmeras frases motivacionais e atuações forçadas, Uma Nova Chance é algo desesperador de se ver. Semelhante à comédias dos anos 2000, o filme de Peter Segal (Agente 86 e Como Se Fosse A Primeira Vez) é um grande clichê que não tem força o suficiente para sustentar sua mensagem -- que no caso é "você acorda todos os dias e tem a segunda chance". Com bastante bom humor, é possível dar uma risada ou outra.

O filme é formado por uma série de esquetes que poderiam ser removidas sem causar impactos na história. Quando Maya tem um currículo falso criado por seu afilhado, uma reconhecida empresa de cosméticos imediatamente a contrata e exige que ela coloque à prova várias de suas habilidades, que estão presentes somente no currículo. Cada cena é uma forma da protagonista se safar com a mentira inventada. Com o desafio de criar uma linha de produtos orgânicos em semanas, a empresa cria uma competição entre equipes. Tudo é incrivelmente conveniente, o que chega a ser cansativo pra audiência.

Ainda que o longa apresente inúmeros defeitos, que vão desde roteiro até atuação, seu maior problema é romantizar a relação entre mãe e filha, criada por toda sua vida por uma mãe adotiva. O filme deixa de lado a ideia de que os pais são na verdade aqueles que criaram um filho, e não necessariamente seus pais biológicos. Talvez não seja uma boa ideia um diretor, homem, se arriscar a falar sobre os desafios da maternidade.

Com uma história fraquíssima e personagens ainda piores, Uma Nova Chance se repete no quesito autoajuda, mas acaba não conseguindo passar sua mensagem ao espectador. Com um roteiro clichê e uma tentativa de plot twist ainda pior, o longa-metragem prova que suar fórmulas prontas da década passada não ser vintage ou nostálgico. É apenas desesperador. Dessa vez, não funcionou para a Jennifer Lopez.

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