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  • Matheus Mans

Crítica: 'Val' é documentário profundo e marcante sobre Val Kilmer


Um dos nomes mais emblemáticos de Hollywood, Val Kilmer encarnou personagens que ficaram marcados na história do cinema: Iceman, Batman, Doc Holliday... Hoje, infelizmente, está fora das telas. Um câncer o tirou subitamente do cenário cinematográfico. Agora, após um período de negação, Kilmer reaparece nas telas justamente falando sobre desafios mais recentes de saúde.


Val, documentário exclusivo do Amazon Prime Video, é de uma delicadeza ímpar. Dirigido pela dupla de estreantes Ting Poo e Leo Scott, o longa-metragem faz um passeio pela história de Kilmer dentro do cinema. Fala sobre seus filmes amadores, feitos em casa com os irmãos, sobre o vício em gravar seu dia a dia, sobre suas experiências em sets e, é claro, sobre a sua saúde.


É um filme, em resumo, que permite ao espectador dar um verdadeiro mergulho na experiência de entender quem é Val Kilmer. Afinal, mais do que ser um daqueles documentários que são "verbetes filmados da Wikipédia", aqui enxergamos a vida nos cinemas pelos olhos do astro. É algo único, que conseguimos apenas por conta da abertura que Kilmer dá aos dois diretores.


Com isso, são dois momentos realmente especiais. Primeiramente, aqueles em que Kilmer não só fala sobre experiências em filmes, como também traz filmagens marcantes -- destaque para os comentários dele sobre Batman e, principalmente, para A Ilha do Dr. Moreau. Mas o que mais chama a atenção são os relatos da luta atual de Kilmer, contra o câncer, em cenas marcantes.


É difícil não sentir, pelo menos, algum tipo de empatia pelo ator. Percebe-se como ele está lutando firmemente para sair dessa. Além disso, há certa melancolia com a situação que ele se encontra: vivendo apenas de participações em eventos, em cima de trabalhos que fez no passado, sem conseguir se dedicar para o presente, para o agora, com novidades na carreira.


Ainda que peque no ritmo em um momento ou outro, Val acaba se tornando uma produção realmente especial, com grandes chances de deixar sua marca nas premiações de 2022. É um filme forte, melancólico e, sobretudo, de resgate. Poo e Scott não permitem que Val Kilmer, com essa questão de saúde que está enfrentando, caia no esquecimento. Val, assim, permanece.


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