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  • Matheus Mans

Crítica: 'Venom: Tempo de Carnificina' abraça o ridículo e erra no tom


Quando Venom chegou aos cinemas, em 2018, estava cercado de dúvidas. Ninguém acreditava que a Sony Pictures, dona dos direitos autorais do universo do Homem-Aranha, realmente conseguiria acertar com a história sobre um vilão como Venom -- basicamente, uma ameba alienígena. Mas funcionou, foi bem de crítica e bilheteria. Uma surpresa. Só que não podemos dizer o mesmo sobre Venom: Tempo de Carnificina, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 1.


Agora com direção de Andy Serkis, de Mogli: Entre Dois Mundos, o longa-metragem continua a mostrar a vida de Eddie Brock (Tom Hardy) como o hospedeiro do parasita alienígena Venom. Não é uma vida boa, sendo extremamente dependente desse monstro e tendo que cumprir suas exigências -- comer cérebros, por exemplo. Só que a perfeita simbiose dos dois entra em choque quando surge Carnificina (Woody Harrelson), um outro ser alienígena similar ao Venom.


A partir daí, o filme segue por um caminho ainda mais estranho do que é visto no primeiro filme. Serkis abraça de vez o ridículo, quase num "beijo da morte". Afinal, não há medo em colocar Brock e Venom em situações absolutamente constrangedoras -- num roteiro bizarro assinado por Kelly Marcel (Cinquenta Tons de Cinza) e pelo próprio Hardy. Chegam ao absurdo de colocar o Venom (o Venom!) curtindo uma balada com pulseiras e colares neon. Como pode algo assim?

Assim, enquanto o humor do primeiro funciona pela estranheza de toda a situação, em Venom: Tempo de Carnificina vemos os personagens em situações que chegam ao ridículo, ao tosco, ao brega. Dá pena ver Hardy (Mad Max: Estrada da Fúria) em algumas cenas, que se esforça em algo que, claramente, não chega a lugar algum. Pior ainda é Michelle Williams, atriz de primeira de filmes como Manchester à Beira-Mar, tendo que aparecer em momentos constrangedores.


A sensação é de que os produtores gostaram das piadinhas do primeiro longa, que tentavam emular o que a própria Marvel faz em seus filmes, e permitiram ir além. Uma pena terem perdido tanto o tom da produção, que sem dúvidas seria mais interessante se abraçasse o terror ou o suspense (não sei o porquê, mas imaginei mais de uma vez como seria J.A. Bayona na direção) ou, até mesmo, uma ficção científica. Com essa fórmula, basta um filme. E nada mais.


O que realmente funciona, por um outro lado, é o Carnificina. Com uma boa trilha sonora acompanhando, o monstro vermelho consegue assustar e impressionar. Muito graças ao bom trabalho de Woody Harrelson (Assassinos por Natureza) como esse vilão estranho e um tanto quanto perturbador. Poderia ter sido mais bem trabalhado? Sem dúvidas, ainda mais por ser um dos mais conhecidos desse universo de Venom. Mas faltou profundidade, que poderia existir.


Enfim: Venom: Tempo de Carnificina é um filme problemático, que sobe muito o tom em relação ao longa anterior, como se fosse uma criança empolgada com alguma brincadeirinha que fez. É fora do tom e, pior, as piadas só funcionam quando damos risada de constrangimento. Pelo menos a cena pós-crédito promete uma expansão interessante da história e, quem sabe, a Sony Pictures passe a enxergar o Venom não apenas como um vilão tosco, mas com mais potencial.


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