Buscar
  • Matheus Mans

Crítica: 'Ziraldo: Uma Obra que Pede Socorro' é documentário caótico


Autor do pôster da 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Ziraldo também recebe homenagens no evento — o que é natural. Ziraldo: Era uma Vez um Menino faz o arroz com feijão ao abordar a biografia do cartunista. É uma produção redonda, sem grandes momentos, mas que o homenageia. Mas, que bagunça é um outro documentário que também tenta trazer Ziraldo para o centro das atenções. É o caótico Ziraldo: Uma Obra que Pede Socorro.


Dirigido e roteirizado por Guga Dannemann, o longa-metragem primeiramente não se decide entre uma reportagem jornalística especial ou cinema. Logo de cara, por exemplo, a edição coloca pequenos trechos do que veremos a seguir nos cinco minutos iniciais da produção — como se fosse uma espiada, um sneak peek. É um recurso terrível para os cinemas. Afinal, nos minutos seguintes, veremos tudo novamente. É como se fosse um erro absurdo de edição.


Além disso, as próprias entrevistas, sem qualquer apuro visual, voltam a remeter ao que vemos em reportagens especiais na televisão. Fica algo um tanto quanto estranho, até desconfortável.

Mas o que mais incomoda em Ziraldo: Uma Obra que Pede Socorro é a dificuldade em estabelecer um tom. O grande mote do filme é a destruição de um mural pintado por Ziraldo no Canecão — uma espécie de Guernica do brasileiro. No entanto, há um certo humor por trás de tudo, como se fosse divertido entender o que aconteceu. Não! O longa-metragem deveria ser um filme-denúncia, mostrando o descaso com a arte e o que pode ser feito com aquele belo mural.


Também há momentos em que Dannemann tenta fazer de tudo isso uma grande homenagem para Ziraldo. Também não funciona. Falta um foco mais claro, um entendimento mais amplo do que está sendo contado. É claro que, ao falar sobre a importância do Mural do Canecão, também se fala sobre a importância de Ziraldo, rendendo homenagens instantâneos e outras coisas do tipo. Mas o cineasta não poderia perder de visto o fio narrativo sobre o descaso com a obra.


Obviamente, no final, sentimos algo de positivo por se tratar, simplesmente, de Ziraldo. Qualquer coisa envolvendo o nome do artista brasileiro causará algo bom em quem está assistindo. É natural. Mas também fica um sentimento de frustração. Poderia ter sido um documentário muito mais ousado, provocativo. Em certo momento, Jaguar diz que iria lá recuperar o quadro. Era só dar uma lata de tinta Suvinil na mão dele. Não teria sido interessante ter seguido por isso?


Ziraldo: Uma Obra que Pede Socorro é um documentário atrapalhado, que não decide a história que está contando, tampouco o tom a ser usado. Poderia ter sido muito, muito melhor. Pena.


0 comentário