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  • Matheus Mans

'É outro jeito de fazer cinema', diz produtor de 'Todo Clichê do Amor'


Logo no início da coletiva de imprensa do longa-metragem nacional Todo Clichê do Amor na última segunda-feira, 9, um assunto surgiu à tona: como fazer cinema de forma totalmente independente no Brasil? Afinal, o filme comandado por Rafael Primot (Gata Velha Ainda Mia) e estrelado pelas globais Débora Falabella (O Filho Eterno) e Marjorie Estiano (Entre Irmãs) foi feito sem ajuda de leis ou incentivos. Tudo saiu do bolso das produtoras associada, o que inclui Marjorie e Débora.

"Tem um outro jeito de fazer cinema. É esse que estamos tentando trazer com Todo Clichê do Amor", diz o animado produtor Daniel Gaggini, de Manual para Atropelar Cachorro. "Para usar leis de incentivo, é preciso entrar num processo que leva entre cinco ou seis anos. Pra gente, era muita coisa. Por isso, decidimos ir por esse caminho alternativo de usar dinheiro próprio e vindo de campanhas da internet. A gente, com esse filme, queria mostrar que isso é possível."

Rafael Primot, diretor do longa, já começou a testar esse formato, na verdade, com o bom e experimental Gata Velha Ainda Mia. Nele, houve limitação de cenários e de tempo de testes para diminuir o orçamento. Neste, a coisa não foi muito diferente: o filme se passa apenas em três cenários -- tendo apenas umas duas cenas externas -- e as atrizes principais são conhecidas de Primot.

"Tenho a alegria de conhecer essas atrizes há algum tempo, permitindo que as gravações fossem mais ágeis e a gente pudesse desinflar os custos da produção", disse o diretor ao citar, além de Débora e Marjorie, as veteranas Gilda Nomacce (Meu Amigo Hindu) e Maria Luisa Mendonça (O Homem do Futuro). O valor exato da produção não foi revelado durante coletiva -- já que é de iniciativa privada --, mas foram usadas apenas sete diárias pra rodar todo longa.

O modelo de distribuição também não será diferente. Afinal, o final nasceu independente e continua independente até chegar às salas de cinema. "O plano de distribuição é ousado", disse Gaggini. "Pretendemos levar o filme à 20 capitais na primeira semana e em algumas cidades menores. Em São Paulo e Rio de Janeiro, teremos algo em torno de duas ou três salas. E aí, a partir de junho, como somos uma produção parceira do Canal Brasil, o filme entra no NOW".