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  • Matheus Mans

Filme sobre morte de Celso Daniel quer fugir de ideologias


Dezessete anos depois da morte do político Celso Daniel, um filme sobre o crime está sendo produzido. Na manhã da última sexta-feira, 4, um painel da Expocine 2019 apresentou os pilares dessa produção que conta com produção de Joana Henning (da Escarlate), direção de Marcos Jorge (dos filmes Estômago e Mundo Cão), roteiro de Lusa Silvestre (O Roubo da Taça) e a pesquisadora Gisele Vitória. Um time de primeira.

O caso do Celso Daniel, que movimentou o Brasil em 2002, foi um marco na política brasileira. Afinal, ele era prefeito de Santo André, pelo PT, e um dos principais nomes na liderança da corrida presidencial de Lula. Desde então, a morte do político despertou ânimos em lados opostos da política brasileira. A esquerda acusa a direita de assassinar uma liderança. Já a direita diz que tudo foi uma armação inteligentíssima da esquerda.

Ninguém nunca descobriu a verdade e o caso teve apenas um acusado -- o empresário e amigo Sérgio Sombra. Ele morreu em 2016, porém, sem o caso solucionado. E nesse percurso de 17 anos, muitas outras pessoas também tiveram mortes suspeitas, como é o caso do médico legista. Assim, para compreender tudo que aconteceu nesse caso, a pesquisadora do longa-metragem mergulhou profundamente nos detalhes desse caso.

"É uma história com várias versões. E na maioria delas há manipulação política", contextualiza o diretor Marcos Jorge. Gisele Vitória, a pesquisadora, complementa: "o que fiz foi assumir o desafio de ter o máximo de isenção política durante as minhas pesquisas. Era preciso se despir do senso-comum", disse. "Algumas pessoas acreditavam se tratar de um crime política. Outras, urbano. Era preciso unir as pontas".

Lusa Silvestre ainda ressaltou a dificuldade em levar essa história para os cinemas. "É preciso unir a história de Celso Daniel, além de todas essas versões, com o entretenimento", afirmou. "A plateia precisa torcer por alguma versão, por alguma das histórias. E isso é algo complicado de se levar num filme ficcional, de ação ou suspense".

Por fim, o cineasta Marcos Jorge ressalta o poder dramático de toda a história -- indo muito além da briga política ao redor da figura central. "Celso Daniel era o prefeito mais querido do Brasil, naquela época. E muitas pessoas ao redor do caso morreram misteriosamente", diz. "Além disso, só o Sérgio [Sombra] foi preso. Se era verdade, foi o melhor amigo que o matou. Se era mentira, um inocente ficou 16 anos na cadeia".