• Matheus Mans

Nina Fernandes fala sobre experiências e 'Digitando...', seu novo EP


A modernidade envolve Nina Fernandes. Paulistana e com 20 anos ainda incompletos, a cantora acaba de lançar seu novo EP, o melódico e marcante Digitando..., que coloca ares modernos logo no título. Mas vai muito além. A base das seis canções deixou de ser totalmente orgânica para ter pitadas de pop e eletrônico. Além disso, as músicas, compostas pela própria Nina, refletem sua vida de jovem adulta: falam sobre o tempo que começa a passar mais rápido, sobre relacionamento amorosos e por aí vai.

"Estou experimentando a transição para algo mais moderno. Vai para o sentido da música eletrônica, ainda que tenham pitadas de orgânico -- bateria, violão, essa coisa mais crua que explorei no EP anterior", explica a cantora em entrevista ao Esquina, realizada também de maneira moderna. Em parte por e-mail, em parte por áudio pelo WhatsApp. "Me atento muito com a identidade musical, como fazer com que chegue às pessoas de maneira moderna e acessível, mas sem sair desse meu universo."

Confira, abaixo, a entrevista completa da reportagem do Esquina com Nina Fernandes:

Esquina da Cultura: Seu novo EP traz quatro músicas inéditas e que aprofundam ainda mais sua identidade musical, que começou há pouquíssimo tempo com 'Cruel'. Como está sendo essa jornada musical de autoconhecimento e de maturidade profissional? O que você está descobrindo nesse caminho?

Nina Fernandes: Eu comecei há pouquíssimo tempo, mas já tinha aprendido muito com a gravação do primeiro EP, com o clipe, com estratégias para as músicas chegarem às pessoas. É um aprendizado para a vida, sem dúvidas. A diferença com Digitando..., meu novo trabalho, é a participação ativa na produção, sendo um trabalho quase feito a mão. Me atento muito com a identidade musical, como fazer com que chegue às pessoas de maneira moderna e acessível, mas sem sair do meu universo. É importante lançar esse disco, ver como as pessoas estão recebendo, o que estão dizendo... Além disso, estou experimentando a transição para algo mais moderno. Vai para o sentido da música eletrônica, ainda que tenham pitadas de orgânico -- bateria, violão, essa coisa mais crua que explorei no EP anterior. Digitando... me trouxe descobertas incríveis, como essa possibilidade de participação. Gosto de entender, de pesquisar, de ajudar a produzir.

Esquina: Como foi a elaboração desse seu novo EP? O que te inspirou? O que você desejava com ele?

Nina Fernandes: Produzi esse EP com meu amigo e parceiro Juliano Cortuah, do Rio. A gente fez várias imersões. Começamos fazendo a produção do EP como algo mais orgânico, com bases mais cruas, e depois olhamos para todas essas músicas e começamos a pensar em como fazer a mensagem chegar de forma mais acessível, com timbres mais modernos. Algo um pouco menos orgânico e um pouco mais pop. Depois disso, uma série de coisas legais aconteceram. Trouxe materiais dos mais bizarros para dentro do estúdio, como sintetizadores, xilofones... Fizemos experiências. Gravamos a bateria com o João Viana, um dos maiores bateristas do Brasil. O processo inteiro me inspirou muito. Seja a produção das músicas ou a maneira como foram compostas, de maneira totalmente espontânea. Todo processo, de alguma forma, trouxe algo pra mim.

Esquina: O que te inspira pra compor?

Nina Fernandes: O que me inspira para compor, em grande parte, são minhas experiências pessoais. Nesse EP, procurei falar de situações menos óbvias. Tem muita música que fala sobre casais, sobre beijos... Mas a minha ideia era trazer, para minha música, outros assuntos. A passagem do tempo e como a gente vive correndo; a questão da viagem e da aventura; o sonho de conhecer uma atriz, como é o caso de Alice. Eu e Juliano conseguimos encontrar uma maneira de comunicar coisas mais óbvias sem ser lugar-comum. Fico orgulhosa por isso. Cada música tem uma história que eu poderia ficar horas contando e explicando tudo. Na hora de compor, a gente nem pensa. Só faz.

Esquina: O EP traz algumas parcerias interessantes, como o Mike do OutroEu e Cesar Lacerda. Qual a importância de firmar boas parcerias nesse início?

Nina Fernandes: Se tem uma coisa que 2018 me ensinou é que parcerias são tudo na vida. Não só por ser uma excelente forma de trocar experiências musicais, na maioria esmagadoras das vezes, mas também por grudar público. Fazer essa fusão só vem para o bem. Principalmente para mim, que estou começando e formando minha audiência, é natural que esse tipo de música delimite qual meu público. E quero fazer mais parcerias com artistas do universo da MPB pop e folk, mas também com os que estão fora desses gêneros. É preciso sair da caixinha. Isso só traz frutos bons.

Foi ótimo gravar com o César. A gente se deu bem muito rápido, começamos a trocar mensagens e falamos sobre fazer músicas. Ele me mandou uma base que tinha no violão, a gente foi trocando ideias e, no final, fizemos a música sem nos conhecermos. Foi uma das melhores experiências da minha vida. Ele é muito musical, muito consciente do que está fazendo. Foi privilégio de ter conhecido ele e de ter feito essa parceria. E conheço o Mike há muito tempo... Eu não tinha música autoral e ele me incentivou a fazer meu próprio trabalho. Enfim, é importante as pessoas da cena [musical] se darem as mãos e irem juntos pra frente..

Esquina: Quais são suas expectativas? O que espera daqui pra frente como música, cantora e compositora?

Nina Fernandes: Eu espero que o disco vá bem, que chegue nas pessoas, que mais gente possa se sentir contemplado de alguma maneira com as músicas que escrevi e com o trabalho tão incrível de produção. Sem dúvidas, o trabalho que eu fiz é muito de iniciante, mas pude aprender mais sobre o meu próprio trabalho e fiz escolhas que são minhas. É um privilégio incrível tudo ter saída da forma como eu esperado, apesar de não ter sido um trabalho fácil -- passamos algumas boas noites em claro (risos). E como aprendizado, agora levo essa realização de colocar a mão no meu próprio trabalho. Quero estar mais presente, mais atenta e que, como compositora, possa ficar próxima de outras pessoas que estejam na mesma vibe. É importante que as pessoas sintam que a gente faz por nós, mas que fazemos muito, muito por quem está do outro lado.

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