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  • Matheus Mans

Por dentro dos terríveis bastidores do novo filme com Danilo Gentilli


Do que depender das impressões da coletiva de imprensa com elenco e diretor de Os Exterminadores do Além contra a Loira do Banheiro, há de se imaginar que o clima não foi tranquilo e amistoso no set de filmagens -- ao contrário do que a maioria das produções tenta mostrar para imprensa e público em geral. "Foi um pesadelo", disse, enfático, o ator e apresentador de programa policial Sikêra Júnior. "Foi meu primeiro filme. E também o último. Nunca mais cometo a loucura de voltar pro set de cinema."

A fala de Sikêra, que surpreendeu num primeiro momento, logo se tornou costumeira na mesa de entrevistas, deixando o diretor Fabrício Bittar (Como se Tornar o Pior Aluno da Escola) constrangido e o ator Danilo Gentilli um tanto quanto incomodado. Mas não foi só o apresentador de programa policial que cometeu sincericídio. Experiência traumatizante era o assunto frequente da mesa, seja em tom de brincadeira ou de sinceridade. Gentilli, Bárbara Bruno e Sikêra passaram mal durante as gravações, enquanto a pequena Pietra Quintela sofreu com litros e litros de sangue despejados.

"Eu sou menina e o sangue grudava no meu cabelo o tempo todo. De todas as cenas que fiz, só uma ou outra era limpa. Foi difícil", resumiu Pietra Quintela (As Aventuras de Poliana), de 10 anos, ao ser questionada sobre as dificuldades nos bastidores do filme.

Matheus Ueta, que ficou conhecido por interpretar o Kokimoto em Carrossel e por, depois, apresentar o programa Bom Dia e Cia., também deixou sua dose de constrangimento. "Na primeira cena, eu mando o Jean dar a bunda", disse o rapaz, se referindo ao ator Jean Paulo Campos, o intérprete de Cirilo da novela Carrossel.

A trama do longa-metragem, afinal, exige esforço. O filme acompanha um grupo de caça-fantasmas (Gentilli, Murilo Couto, Léo Lins e Dani Calabresa) que tenta impedir que a assombração da loira do banheiro (Quintela) cause maiores danos numa escola comandada por um rígido diretor (Sikêra). Contra o fantasma endemoniado, o grupo ainda contará com a ajuda do estudante Daniel (Matheus Ueta), do segurança Conan (Digão Ribeiro), da professora Helena (Bruno) e do Professor Ricardo (Antonio Tabet).

Murilo Couto, com um jeito de falar que transitava entre o riso constrangido e a fala mansa, fez deboche do seu personagem e mostrou que também não ficou muito contente com os esforços desprendidos. "Eu passo vergonha e sou humilhado o filme todo. É quase um documentário", disse o ator, que interpreta o produtor dos caça-fantasmas, aos risos. "Me arrependo de ter topado." Depois, disse que era "brincadeira". Gentilli, porém, o questionou. "É, não é brincadeira, não", resumiu Murilo, ao fim.

Gentilli, apesar de se mostrar extremamente pouco receptivo durante a coletiva, também deu sua mostra de dificuldade sobre as gravações de Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro. "A gente gravou no inverno. E o líquido que imitava o sangue ficava ainda mais gelado. Era péssimo", disse o apresentador do SBT e, também, produtor do longa-metragem. Sikêra Júnior, sempre pronto para alfinetar a produção, emendou: "eu passava muito frio, minha hérnia estava do tamanho de uma bola. O [diretor] Fabrício me fez gravar uma cena 56 vezes. Acabei indo parar no Hospital Sírio Libanês."

Climão. O clima também pesou na coletiva quando um repórter fez uma pertinente e inteligente pergunta sobre a possibilidade do filme virar uma série e, com isso, captar cerca de R$ 5 milhões numa lei de incentivo do Governo Federal -- como já está solicitado em um edital. A questão central ficou em cima do que a produção falaria para pessoas que não apoiam essas mesmas leis de incentivo, como é o caso do próprio Danilo Gentilli e de Léo Lins, também ali presente. Fabrício Bittar desconversou.

"Isso é coisa da distribuidora", disse o cineasta, citando a Warner Bros. e a Galeria. "A gente, como em qualquer lugar do mundo, apresenta o projeto para essas empresas e, depois, elas se sentem livres para colocar em leis de incentivo, como é o caso desse projeto para série de TV". Sikêra Jr., novamente, voltou a se mostrar espirituoso e não percebeu a confusão que se apresentava ali. "Ficam pegando no pé da Daniela Mercury com isso. Deixa ela fazer show, gente! Deixa ela se apresentar. Faz bem pra todo mundo."