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  • Matheus Mans

Oscar 2019: confira os 10 curtas de animação pré-indicados ao prêmio


Sempre foi uma dura e árdua batalha assistir aos indicados na categoria de curtas do Oscar. Seja em live-action ou em animação, as produções ficavam restritas aos festivais ao redor do mundo e nunca chegavam ao mundo online. Agora, porém, a estratégia mudou: produtoras e distribuidoras começaram a usar a internet como forma de levar os curtas para um maior número de pessoas e, assim, ter mais apelo popular durante a premiação -- seguindo, aliás, uma tendência que comentamos ontem aqui no Esquina.

E a Academia, enquanto isso, também sai satisfeita. Afinal, quanto mais apelo e vínculos com o público uma produção tiver, mais interessante para a audiência do prêmio. Confira, abaixo, os 10 pré-indicados na categoria de Melhor Curta de Animação e breves comentários sobre cada uma das produções. Divirta-se e faça a sua torcida:

'Age of Sail', de John Kahrs (EUA)

Dirigido por John Kahrs, responsável pelo lindíssimo O Avião de Papel, o curta-metragem Age of Sail acompanha a jornada de um marinheiro através dos tempos. A técnica usada pelo cineasta, de misturar desenho com animação digital, é interessante e causa um bom impacto à primeira vista. No entanto, a falta de profundidade do roteiro faz com que o espectador tenha dificuldade em criar vínculos com os personagens que ali são apresentados. É, sem dúvidas, uma das mais medianas dentre as pré-indicadas.

'Comportamento Animal', de Alison Snowden e David Fine (EUA)

Mostra cinco animais que se reúnem, regularmente, em sessões de terapia por conta das coisas difíceis que acontecem em suas vidas. Único dentre os dez pré-selecionados que possui um forte pé na comédia, Comportamento Animal traça um bom paralelo entre a história contada e os instintos primitivos que existem em cada pessoa. A sacada dos diretores e roteiristas Alison Snowden e David Fine dá o toque de elegância à história, que não descamba para o óbvio. Pena, porém, que o final não corresponde. Fica a dúvida se quiseram criticar a psicologia ou acaso da vida. Não desceu bem.

'Bao', de Domee Shi (EUA)

É o que chega com mais força na categoria. Afinal, é uma produção da Disney e que valoriza a cultura chinesa. Exibido antes de Os Incríveis 2, a produção preza por contar uma história cheia de pequenos detalhes muito bem executados por Domee Shi e que mostra a vida de um bolinho de uma mãe solitária ganha vida. O que pode atrapalhar a indicação e a possível vitória é o final extremamente trágico e que destoa um pouco do restante -- apesar, é claro, de ser lindo e ter coerência dentro da temática da família.

'Bilby', de Pierre Perifel, JP Sans e Liron Topaz (EUA)

O trio de diretores responsável pelo lindíssimo Bilby é quase todo de estreantes -- só Liron Topaz que comandou o divertido e nostálgico The Side Up. Mas nem parece. O curta é brilhantemente conduzido, sem falas, mas com emoções à flor da pele para contar a história de um marsupial australiano que precisa proteger um filhote de pássaro. É emocionante e o visual também impressiona. Parece ser uma produção pronta para ganhar ares ainda maiores em longas e, talvez, até numa franquia infantil.

'Bird Karma', de William Salazar (EUA)

Com forte influência da cultura indiana, esta animação do estreante William Salazar busca mostrar como tudo que fazemos, volta. Aqui, este conceito é representado na figura de um simpático pássaro -- que lembra muito os criados pela Pixar em Coisas de Pássaros -- que chega num lago para comer alguns peixes. A história é divertida, com uma boa lição e o visual mais chamativo dentre os 10 pré-indicados, por mais que Bilby ainda seja o mais caprichado. Interessante e pouco usual, pode chegar com força na premiação e mostrar que a vida como ela é também tem espaço na categoria.

'Pépé le Morse', de Lucrèce Andreae (França)

Produção francesa muito delicada e que possui um traço simples, nostálgico, e que ajuda a valorizar a história. Nela, acompanha-se uma família que precisa lidar com a morte do avô e sobre o processo de luto de cada um. As cores, muito bem empregadas por Lucrèce Andreae (do simpático Três Pequenos Pontos), ajuda a enfatizar o tom sombrio da narrativa. Pena, porém, que o roteiro, assim como Age of Sail, não ajuda o espectador a sentir plena empatia pelos personagens. É, enfim, observação da cena.

'Late Afternoon', de Louise Bagnall (Irlanda)

Estreia de Louise Bagnall na direção, Late Afternoon é uma animação profunda, delicada e sensível. Aqui, uma senhora idosa começa a perder suas memórias. Elas chegam em flashes conforme vive sua vida. Aos poucos, porém, passado e presente se unem e começam fazer algum sentido para a idosa. Cheio de metáforas e de mergulhos profundos na mente das pessoas, Late Afternoon é o curta com temática adulta mais coeso e emocionante. Merece, sem dúvidas, estar entre os cinco indicados do Oscar.

'Lost & Found', de Andrew Goldsmith e Bradley Slabe (Austrália)

Este curta, dos estreantes Andrew Goldsmith e Bradley Slabe, é uma das coisas mais sensíveis, delicadas e apaixonantes que circundaram a categoria de curtas de animação do Oscar nos últimos anos. Feito inteiramente em stop motion, a produção mostra dois bonecos de pano em apuros. Um deles, uma pequena raposa, cai num poço de água e se vê sem saída. O outro, um simpático dinossauro, resolve salvar o amigo, mas a lã de seu corpo, conforme avança, vai se desfazendo. Merece não só a indicação, como o prêmio.

'One Small Step', de Andrew Chesworth e Bobby Pontillas (EUA/China)

Curta-metragem que mergulha na vida de uma garota que sonha em ser astronauta e, para isso, conta com a ajuda e o apoio de seu pai. Aos poucos, então, a dupla Andrew Chesworth e Bobby Pontillas começa a mostrar o "outro lado" dessa busca, como o apoio dos que nos amam e a necessidade de lidar com a rejeição. Pena, porém, que fica a sensação de que falta algo nesse triste e emocionante espetáculo. Talvez um pouco mais de emoção, um pouco mais de história. É bonito, mas não alcança outros curtas.

'Weekends', de Trevor Jimenez (EUA)

Com traços aparentemente simplistas disfarçando um roteiro extremamente ousado, original e inteligente, Weekends mostra a rotina de um rapaz que se vê dividido entre a casa de seu pai e sua mãe após o divórcio. O mais interessante aqui, porém, é ver como o onírico invade a rotina do menino e se mistura com a relação que ele mantém com os pais. É sensível e inspirador. Pena que se estenda demais, podendo prejudicar a possível indicação ao Oscar -- comumente são indicados os que vão direto ao ponto.