• Matheus Mans

Ranking: do pior ao melhor filme de Quentin Tarantino


É difícil falar sobre os filmes de Quentin Tarantino. Afinal, o cineasta marcou gerações com Kill Bill, Cães de Aluguel e Pulp Fiction, criando um estilo próprio e facilmente reconhecível. Por isso, e por alguns outros motivos, é difícil defini-lo, enquadrá-lo, ou até mesmo compreendê-lo em sua totalidade. Quais são suas ambições em cada frame, em cada história contada, em cada ângulo utilizado? Não dá para colocá-lo em uma fórmula única. É preciso analisá-lo emocionalmente, mais do que de maneira técnica. Vai além.

No entanto, aqui no Esquina, estamos em busca de fazer uma análise completa de sua carreira -- afinal, diz ele, seu próximo filme será o seu último. Assim, abaixo, confira o ranking completo da filmografia do cineasta norte-americano. Incluindo seu mais recente trabalho nos cinemas, o onírico e muito divertido Era uma Vez em... Hollywood.

10. Jackie Brown

Jackie Brown (Pam Grier) é uma aeromoça quarentona que trabalha para uma companhia aérea de segunda linha e reforça o seu baixo salário trazendo para o país dinheiro sujo de um traficante de armas, Ordell Robbie (Samuel L. Jackson). Até o dia em que ela é pega por policiais com uma alta soma em dinheiro e um pacote de cocaína numa mala. Os policiais lhe oferecem a liberdade caso ela os ajude a pegar o traficante. E aí começa uma verdadeira corrida de gato e rato -- sem deixar claro, exatamente, quem é quem. Esta é a trama mais esquecível de Tarantino, que aperfeiçoava seu estilo após Pulp Fiction e Cães de Aluguel. Filme que fica entre fraco e mediano, seria até difícil compreender a essência do diretor aqui. Se não fossem as boas cenas de ação.

9. À Prova de Morte

Filme que começa em nada e termina em lugar nenhum, À Prova de Morte conta a história de Jungle Julia (Sydney Tamiia Poitier), a DJ mais sexy de Austin. Ao cair da noite, ela pode enfim se divertir com as suas duas melhores amigas, que saem noite adentro, atraindo a atenção de todos os frequentadores masculinos dos bares e boates do Texas. Mas nem toda a atenção é inocente. Cobrindo de perto seus movimentos está Stuntman Mike (Kurt Russell), rebelde inquieto e temperamental que se esconde atrás do volante do seu carro indestrutível. A sensação, ao final, é de que o filme poderia ter ousado mais. Ido além em sua história, banal e previsível. Agrada apenas pela violência absurda e por Russell. Mas, quanto ao roteiro, é apenas decepção atrás de decepção.

8. Era Uma Vez em... Hollywood

Longa-metragem mais recente de Tarantino, Era Uma Vez em... Hollywood conta a jornada de um ator desiludido (Leonardo DiCaprio) e de seu esforçado dublê (Brad Pitt, no melhor papel de sua carreira). Apesar do elenco estar bem, a trama parece que não traz nada de novo. O deslumbramento com outras épocas, a reinterpretação histórica, a boa trilha sonora e o visual agradável são coisas que chamam a atenção, mas que já foram feitas em outros filmes do diretor. O que poderia surpreender e se tornar a cereja do bolo acaba passando rápido demais. Enquanto todo resto do filme demora a engatar.

7. Os Oito Odiados

Típico filme que alguns amam, outros odeiam. Afinal, por mais que haja elementos interessantes e originais, Os Oitos Odiados é lento. Muito, muito lento. Seu primeiro ato, por exemplo, tem pouquíssimos grandes momentos -- e o resto do filme, apesar de ser mais ágil e intenso, se passa todo em um único cenário, com alguns momentos que se repetem. O que chama a atenção, e que acaba colocando-o à frente de Era Uma Vez em... Hollywood, é a sagacidade de algumas situações e o grandioso ato final. É tudo exagerado, a violência é absurda e os fãs de Tarantino, sem dúvidas, saem dando risada.

6. Kill Bill Vol. 2

Muitos consideram os dois Kill Bill como uma única peça. Mas, aqui, resolvemos tratá-los de maneira distinta pela diferença de qualidade. Enquanto o primeiro traz momentos mais emblemáticos e cenas memoráveis, este segundo volume parece trazer situações repetidas. E além disso, essa duologia tem envelhecido muito mal. Ainda assim, são filmes que trazem uma reflexão por meio de sua violência e de seu visual arrojado -- que é brilhantemente inspirado nos longas de artes marciais. Empolga, ainda que bem menos do que o primeiro. É marcante, ainda que muito menos visto que Kill Bill Vol. 1.

5. Django Livre

Django (Jamie Foxx) é um escravo liberto que, sob a tutela de um caçador de recompensas alemão (Christoph Waltz), torna-se um mercenário perigoso. Depois de auxiliar seu mentor em alguns trabalhos por dinheiro, os dois partem para uma missão pessoal: encontrar e libertar a esposa de Django das garras de um fazendeiro inescrupuloso (Leonardo DiCaprio). Aqui, entramos num terreno de grandes obras -- algumas delas, a partir desse ponto, podem ser tranquilamente consideradas como obras-primas. Afinal, Tarantino traz em Django Livre uma discussão social moderna e necessária, que amplifica preconceitos e lida com isso por meio da violência inescrupulosa de sua direção. Um filmaço, que merecia ser muito mais reconhecido.

4. Kill Bill Vol. 1

Este filme revolucionou alguns pontos da indústria cinematográfica. Afinal, colocou uma mulher matando outras mulheres num momento em que o machismo da indústria cinematográfica ainda era muito pouco debatido. E, também, inseriu maravilhosos elementos mitológicos na história de uma mulher (Uma Thurman) que busca vingança após ser traída pelo seu grupo de assassinos profissionais. O visual é deslumbrante e coloca Tarantino num outro patamar de realizados -- mesmo após Pulp Fiction e Cães de Aluguel. Mas, como já foi dito em Kill Bill Vol. 2, é um filme que envelheceu mal.

3. Bastardos Inglórios

Aqui, Tarantino dá sua visão sobre a Segunda Guerra Mundial com uma série de elementos que ornam de maneira magnífica. É o elenco (Brad Pitt, Christoph Waltz, Diane Kruger, Michael Fassbender) coeso, a atmosfera de guerra que faz o público imergir na História e o roteiro genial de Tarantino, vindo do fraco À Prova de Morte. É a consagração dos filmes ao estilo "e se?", que não deixa de esconder seu potencial onírico ao mostrar como o diretor gostaria que a Guerra tivesse acabado. É forte, é marcante, é original, é criativo. E parece que todos seus 153 minutos passam voando. É muito bom.

2. Pulp Fiction

Para muitos, é o melhor filme da História -- junto com O Poderoso Chefão e Um Sonho de Liberdade. E, realmente, há momentos aqui que entraram para a trajetória mundial do cinema. Seja a dança de John Travolta e Uma Thurman ou o monólogo de Samuel L. Jackson. O fato é que Pulp Fiction é um daqueles filmaços, que aparecem de vez em quando, e mostram como boas histórias podem ser deslumbrantes no cinema apenas por serem bem contadas. Isso sem falar do resto dos elementos que funcionam em perfeita harmonia. Só não é melhor por conta da banalidade da trama, amplificada por ser contada de maneira não-linear. Ainda assim, dá pra falar que é uma obra-prima.

1. Cães de Aluguel

Na nossa opinião aqui do Esquina, o grande filme de Tarantino e um dos melhores da História do cinema. Cães de Aluguel se vale de um ambiente pequeno, quase claustrofóbico, para contar a história de um assalto que dá muito errado. É incrível ver como a situação se desenrola e como os personagens -- brilhantemente interpretados -- ganham vida em cada cena, cada fala, cada gesto. Nada aqui é à toa nesses 99 minutos. É o filme mais bem dosado de Tarantino, que faz sua estreia nas telonas de maneira glamourosa. É impactante, original, bem filmado, forte, marcante. Um grande filmaço.