• Matheus Mans

Resenha: Marcelo Rubens Paiva analisa figura masculina em 'O Homem Ridículo'


Marcelo Rubens Paiva é, hoje, um dos principais escritores com olhar sobre o Brasil contemporâneo. Afiado e dono de uma prosa natural, o paulistano consegue sempre ter uma visão crítica e realista sobre assuntos que nos cercam. Relacionamentos, solidão, superação. E agora, em O Homem Ridículo, o autor de Feliz Ano Velho fala dos absurdos da figura masculina.


Formada por quase 30 contos, essa coletânea absorve momentos da vida do escritor e reinterpretações de histórias alheias para seguir esse fio narrativo sobre a masculinidade. E há histórias sobre tudo. Separação, união, sexo, traição, tipos de mulher (e as reações dos homens para cada um deles), tipos de homens, paixonites, imbróglios. Tudo ali, junto e misturado.


E por mais que os homens estejam cada vez mais em baixa na humanidade, por justa causa, é interessante notar esse passeio sobre a masculinidade (por vezes, frágil) sobre aspectos cotidianos. Paiva compreende bem pequenos e delicados gestos do dia a dia, incrementando-os em histórias interessantes e que causam reflexão, riso, compreensão ou, inclusive, tudo isso.


Dessa forma, O Homem Ridículo conversa de maneira franca com As Fêmeas e, principalmente, O Homem que Conhecia as Mulheres -- ambos bons livros de Paiva. A naturalidade do olhar do escritor sobre situações curiosas, absurdas ou exageradamente corriqueiras fazem com que as tramas soem demasiadamente próximas da realidade do leitor que vira as páginas do livro.

Não aguento mais ouvir de uma voz feminina com amargura e rancor que não quer mais casar. Seguidoras de Paulo Mendes Campos acreditam que, se o amor acaba, pra que começar outro?

As pessoas naqueles contos podem ser eu, você, seu amigo, seu patrão, seu pai, seu irmão.


Pena, porém, que um ou outro conta fuja dessa linha narrativa invisível sobre relacionamentos e presença masculina ou, o que é pior, que saia do nível de qualidade visto até ali. Tipos que Invejamos, por exemplo, parece um pouco descolado do restante, enquanto O Tio e a Gravidade parece não chegar a lugar algum -- além de ser, de longe, o mais cansativo de todos da obra.


E O Começo do Fim é aquele conto divertido, mas que é alvo fácil de problematização por aí.


Enquanto isso, outros contos são excelentes e atingem todos seus objetivos. Traição, apesar de longo, é delicioso de ser desbravado. O Homem Ideal é curto, simples, mas é divertido e saboroso. A vontade, depois, é sair contando por aí como se fosse uma anedota. Já Quando Entra a Terapeuta, O Amor Platônico e Luana, a Noiva brigam pelos contos mais simpáticos.


Assim, em resumo, O Homem Ridículo é um livro moderno, divertido e que, a partir do riso e da emoção, causa reflexão. Afinal, dá para trazer questões pertinentes sobre a vida em sociedade, os relacionamentos e coisas do tipo. Não é o melhor livro de Marcelo Rubens Paiva -- Feliz Ano Velho e Blecaute ainda continuem anos-luz à frente. Mas dá pra ler, se divertir e fazer refletir.

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