5 melhores contos do escritor Murilo Rubião

11/06/2019

Murilo Rubião estreou na literatura na década de 1940 e morreu em 1991, com 75 anos. E apesar desse longo período de atividade, o escritor mineiro produziu apenas 33 contos publicados em livro -- e que estão reunidos num compilado da Companhia das Letras. E apesar da produção concisa, há características em comum que são facilmente percebidas ao passear por sua literatura. O realismo fantástico, a linguagem clara, a importância dos narradores e da epígrafe são algumas das que mais se destacam ali.

 

Abaixo, o Esquina selecionou os cinco contos mais expressivos de Rubião e, juntamente, apresentou alguns dos motivos para que eles sejam destacados frente aos demais:

 

Bárbara

 

"Bárbara gostava somente de pedir. Pedia e engordava". É assim que começa o conto Bárbara, que traz o melhor da literatura de Rubião para as páginas dos livros. A história acompanha a jornada de um homem que faz de tudo para sua esposa, que dá nome ao conto. Ela, como dito nas primeiras frases da trama, pedia as coisas mais extravagantes possíveis -- de comidas à navios. E o marido a correspondia. Até que a coisa sai do controle. De aspecto fantástico, e que lembra muito a literatura de Gabriel García Márquez, Bárbara surpreende o leitor pelo rumo que toma e como vai se resolvendo. O final é belíssimo. Arrisco dizer que o mais belo dos 33 contos de Rubião.

 

Teleco, o Coelhinho

 

Este aqui começa quase como uma fábula. Um coelho começa a conversar com um homem comum. E vai além: mais do que ser um coelho falante, a criatura é metamorfa. Altera sua forma, ganhando aspecto dos mais diferentes animais. Rapidamente os dois viram amigos e Teleco, o ser que se transforma, vai morar na casa do rapaz. No entanto, o coelhinho começa a crescer e... Teleco, o Coelhinho é uma fábula, de fato, mas que não tem contornos otimistas em sua mensagem. Traz uma profunda lição sobre amadurecimento, mudanças de comportamento e coisas do tipo. Forte e inesperado.

 

Os dragões

 

Quem já está imerso no universo de Rubião -- e, principalmente, os que estiverem lendo a obra completa do autor já citada -- vai brilhar os olhos ao ver que o mineiro também se aventurou a explorar a figura dessa criatura mítica e mística. E, de fato, a animação do inicio não arrefece e Rubião consegue manter a empolgação até o fim. Os Dragões é um conto que, mesmo escrito décadas atrás, ainda traz aspectos importantes como a relação com o diferente e xenofobia. Tudo isso por meio de uma narrativa que conta a história de dragões que chegam numa cidade e que são rejeitados. Só depois essas pessoas, contrárias à presença dessas criaturas, percebem o potencial que teriam ali.

 

O edifício

 

Como ressaltado pelo pesquisador Ricardo Iannace, da Universidade de São Paulo, Rubião faz uso frequente da arquitetura em seus contos. Em O Edifício, especificamente, o escritor mineiro pega a ideia de um prédio que nunca para de ser construído para ilustrar a solidão humana. E o resultado é fabuloso. Os percalços no caminho lembram a jornada da humanidade e o edifício, dantesco e incoerente, mostra as incongruências da existência -- um tipo de metáfora, aliás, que lembra o filme Mãe!, de Darren Aronofsky. Um conto forte, potente, arraigado de significados e que mostra a criatividade de Rubião.

 

A fila

 

Em A Fila, Murilo Rubião tece uma crítica esperta e precisa sobre um aspecto que permeia as políticas brasileiras até hoje: a burocracia burra. Representado por meio de um homem que tem algo importante a falar com um governador, a sociedade é retratada de forma desesperadora. As coisas não acontecem, as situações se aglutinam. Parece que tudo fica preso na burocracia. Aqui, Rubião traz um aspecto paradigmático potente e que traz um aspecto curioso e otimista ao final. Difere um pouco de outros contos por isso, mas não deixa de causar reflexão. Merece ser lido, principalmente hoje.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Publicidade