• Matheus Mans

Resenha: 'A Dança da Morte' é mais um acerto de Stephen King


O fim do mundo — e sociedades pós-apocalípticas — sempre foi um tema atrativo para a indústria do entretenimento. Pode ser na literatura, como o maravilhoso Ensaio sobre a Cegueira; no cinema, com o terrível 2012; e até na música, em O Dia Que a Terra Parou, de Raul Seixas, e até na grudenta Um Minuto para o Fim do Mundo, da CPM 22. Juntando tudo isso, poucos se salvam. No cinema, os filmes tendem para catástrofes dantescas pouco criativas (alô, Roland Emmerich!) e, na literatura, apenas alguns agradam — afinal, poucos são os Saramagos que conseguem criar um cenário de destruição com um pé na realidade. Um livro de Stephen King de 1978, porém, consegue transformar este tipo de literatura apocalíptica em ouro e romper com todos os clichês do gênero. Nos mesmos passos de Guerra Mundial Z e Eu Sou a Lenda, o romance A Dança da Morte conta a história de uma civilização que sobreviveu a um vírus mortal que escapou de um laboratório. Muitos morreram, a civilização foi varrida e apenas 1% de todos os habitantes conseguiu sobreviver. Com este premissa, o livro de Stephen King explora todos os meandros e as possíveis consequências que uma limpeza à la dilúvio de Noé: as pessoas buscam sobreviver em uma sociedade cada vez mais difícil de resistir. Afinal, com tão poucas pessoas, como viver? Alguns recorrem para a ajuda mútua, outros, porém, ao salve-se quem puder.

"Sob o deserto da Califórnia e subsidiado pelo dinheiro dos contribuintes, alguém finalmente inventaria uma corrente que funcionava. Uma corrente extremamente letal."

Criando personagens marcantes — como é sua característica — e uma narrativa que fica martelando na cabeça a cada página virada, Stephen King consegue fazer com que o fim do mundo se torne um destaque em sua extensa bibliografia. É visceral, marcante, retumbante. Leitura difícil de esquecer. É, em resumo, um grande livro. Como It - A Coisa e Sob a Redoma, tem tamanho de tirar o fôlego: são mais de 940 páginas. A história também é grandiosa. Bem desenvolvida, King consegue reunir uma narrativa plural e que cobre todos os aspectos que uma história sobre o apocalipse do fim do mundo exige. Além disso, King não apenas tira o fôlego do leitor por sua narrativa, mas também pelas reflexões que suscita. Não só sobre um possível fim de mundo, como também pelas faces sombrias do ser humano e o que pode ser despertado em uma pessoa posta em seus limites.

A Dança da Morte é mais uma obra magistral de King, que se destaca ao lado de O Iluminado, Misery e Carrie, A Estranha. Vale a pena para todos os fãs de King e de literatura de qualidade.

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