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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Destinos à Deriva', da Netflix, acerta ao inovar filme de sobrevivência


Filmes de sobrevivência seguem sempre o mesmo caminho. Um personagem faz uma burrada ou, então, se envolve em um acidente e... pronto! A logística do filme está armada para fazer com que aquela pessoa, homem ou mulher, sobreviva dias perdido na selva, no fundo do mar ou onde quer que seja. Alguns filmes, mesmo seguindo essa lógica, são fantásticos, como Gravidade. E apenas alguns poucos fogem disso com criatividade. É o caso de Destinos à Deriva.


Estreia da Netflix desta sexta-feira, 29 de setembro, o longa-metragem é, curiosamente, uma distopia -- algo não muito comum nesse tipo de narrativa de sobrevivência, já ganhando pontos de cara. Na Espanha dessa realidade, o governo totalitário persegue pessoas. Crianças, grávidas, idosos. É nesse contexto que Mia (Anna Castillo) está fugindo. Ela está grávida de Nico (Tamar Novas) e os dois, juntos, embarcam em um contêiner para chegar até a Irlanda, democracia.


Só que as coisas, claro, não dão certo. Mia e Nico se separam no meio do processo de fuga e, após uma tragédia, ela se vê sozinha, grávida e no meio do oceano. É aí que o filme mostra sua graça. Por mais que a tal distopia sirva apenas para duas cenas, sem avançar tudo aquilo que podia, Destinos à Deriva acerta ao criar uma trama de sobrevivência que vai além do óbvio -- a situação da jovem grávida, em um cenário de sobrevivência, até lembra Um Lugar Silencioso.

É interessante, e bastante desesperador, a forma como as coisas avançam (e retrocedem), deixando qualquer um desesperado em fazer com que Mia sobreviva. Muito disso também parte de uma boa atuação de Castillo (La Llamada), que traz intensidade em cenas que exigem. Isso sem falar de cenas realmente bem boladas, como uma que envolve baleias -- é muito boa.


É claro que o filme, a partir do roteiro de Indiana Lista, Ernest Riera, Seanne Winslow e Teresa de Rosendo, poderia trazer mais complexidade ao texto. A distopia, afinal, poderia ser o condutor para uma discussão sobre a situação dos refugiados na Europa, que se perdem no mar e morrem de fome, desnutrição e insolação. No entanto, o roteiro para um passo antes. Pena.


Ainda assim, Destinos à Deriva é um filme que acerta -- talvez um dos mais legais do gênero depois de Vidas à Deriva, de 2018. Afinal, depois disso, só filmes de tubarão ou fundo do mar. É, enfim, um refresco para ideias que se aglutinaram nos últimos tempos e acabaram gerando histórias que cansamos de ver. Quem sabe, seja um primeiro passo para mais ideias e ousadia.

 

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