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  • Matheus Mans

Crítica: 'Garota da Moto' é filme de ação brasileiro que não se sustenta


Outro dia elogiamos aqui no Esquina as boas intenções de Reação em Cadeia, longa-metragem nacional de ação dirigido pelo astro Márcio Garcia. Eis que apenas uma semana depois chega outro filme brasileiro "de gênero" às telonas. Garota da Moto, derivado da série exibida pelo SBT e pelo Amazon Prime Video, chega aos cinemas já a partir desta quinta-feira, 23 de setembro.


Dirigida por Luis Pinheiro (do divertido Mulheres Alteradas), a produção conta a história de Joana (Maria Casadevall, entrando no lugar de Chris Ubach). Na história, ela interpreta uma motogirl que vive constantemente em estado de alerta depois de fugir de um atentado contra sua própria vida e a de seu filho. Agora, ela busca justiça enquanto protege a sua família.


Assim, em um dia qualquer de seu trabalho como motofretista, ela acaba cruzando com uma quadrilha. Faz sua vingança. A partir daí, se torna alvo de criminosos, principalmente de um homem que parece ter controle do crime organizado de São Paulo -- e, apesar dos exageros do personagem, é bem interpretado por Roberto Birindelli. Aí começa o clássico "gato e rato".


Tal qual em Reação em Cadeia, este Garota da Moto também tem suas boas intenções. Depois da série mostrar Joana fugindo de Bernarda (Daniela Escobar), uma milionária que vê na motoqueira uma ameaça à sua fortuna, uma vez que acredita que seu falecido marido teve um caso com ela, agora a personagem ganha mais força, mais autonomia. Ela vai atrás da Justiça.

Com isso, o longa-metragem tem ganhos e perdas. Ganha, primeiramente, ao fortalecer a personagem e fazer com que ela vá além de uma simples briga com outra mulher -- e, veja só, causada por um homem. Ela tem mais autonomia. No entanto, por outro lado, essa mudança de postura exige roteiro e direção mais afiados para tornar essa personagem mais crível e natural.


E isso simplesmente não acontece. Enquanto o bom O Doutrinador abraça o fantástico, para falar de outro filme brasileiro de um vingador, Garota da Moto se leva muito a sério. A personagem perde a oportunidade de evoluir, principalmente com uma atuação mecânica de Casadevall. E a história fica engessada e pouquíssimo crível, com situações pouco naturais.


Uma cena que deveria ser tensa, envolvendo uma escola como cenário, simplesmente se desdobra com decisões estéticas e cênicas questionáveis -- é mal encaixada, estranha. A ação não evolui bem também, sem momentos realmente tensos. Pinheiro foi bem dirigindo a comédia sobre "mulheres alteradas", mas não conseguiu dar o tom da ação necessário por aqui.


Garota da Moto, assim, é um filme de ação que simplesmente não se sustenta. Faltam personagens mais interessantes, momentos mais críveis, ação mais tensa. Tudo que a série conseguiu construir bem some no longa-metragem. Fica a questão se realmente deveriam ter mudado elenco e equipe. Será que não seria melhor ter mantido o tom da história no geral?


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