• Matheus Mans

Crítica: 'Presságio', da Netflix, é mais um suspense policial banal


Nos últimos tempos, a Netflix tem se especializado em um tipo bem específico de filme: o suspense policial ruim e genérico. São aquelas produções, de vários cantos do mundo, que se inspiram em clássicos do gênero para fazer uma sopa de situações e, assim, tentar agradar a audiência. Foi assim com Mentes Perigosas, Morte às Seis da Tarde e, agora, com Presságio.


Vindo diretamente da Argentina, o longa-metragem é uma chamada prequel -- aqueles filmes que contam histórias anteriores a algum outro que já existe. No caso, prequel do terrível Desaparecida. Ou seja: é a "sequência" de um filme que já tinha sido um fiasco e uma vergonha completa. No entanto, ainda assim, a Netflix insistiu no novo filme. E o resultado já sabemos.


Dirigido novamente por Alejandro Montiel, Presságio comete exatamente os mesmos erros do outro filme da franquia. Ainda que algumas respostas tenham sido respondidas, o longa-metragem volta a cometer atrocidades. O ritmo é demasiadamente lento, os personagens são caricaturas ambulantes, a trama é desinteressante e tudo transpira uma forte artificialidade.


O pior, porém, são os furos de roteiro. Muita coisa é desencaixada e, pior, muita coisa foi criada nessa prequel apenas para tentar tapar furos de roteiro de Desaparecida. Chega a ser desesperadora a forma que Montiel conduz o longa-metragem, tanto na direção quanto em seu desencaixado roteiro. Sem falar o ar genérico do filme, que mastiga várias referências.


No final das contas, Presságio até pode servir como um filme para passar o tempo ou até mesmo se distrair. Mas fica aquela dúvida: vale a pena as duas horas perdidas? Há dezenas de outros filmes policiais, para fins de entretenimento, que servem muito mais o espectador com roteiro amarrados, boa direção, bons atores. Esse, arrisco dizer, é perda de tempo.

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