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  • Matheus Mans

Crítica: 'Todas as Sardas do Mundo' é filme bonitinho da Netflix


Geralmente, as comédias românticas adolescentes da Netflix são de medianas pra baixo. Vide A Barraca do Beijo, Para Todos os Garotos que Já Amei e Crush à Altura. Por isso, dá pra dizer que Todas as Sardas do Mundo é uma agradável surpresa do serviço de streaming. Afinal, a produção mexicana apresenta uma história genuinamente juvenil e com um frescor nostálgico.


Dirigido pelo mexicano Yibran Asuad, estreante na direção de longas, mas com uma extensa carreira como editor, Todas as Sardas do Mundo conta a história de José Miguel Mota Palermo (Hanssel Casillas), um garoto que chega na sua nova escola sendo alvo de chacotas. No entanto, conforme o tempo passa, ele se aproxima do objetivo de conquistar a garota dos seus sonhos.


Juvenil e ingênuo, o longa-metragem se vale da nostalgia da década de 1990 -- por vezes forçada -- para construir uma narrativa gostosa para o espectador assimilar. O público alvo, com idade entre 15 e 25 anos, irá ver, se identificar e lembrar bons momentos da infância, quando determinadas atitudes ainda eram permitidas e as coisas não tinham a malícia de hoje em dia.


No entanto, como ressaltado, é uma nostalgia que, por vezes, se torna excessiva e sem ter muito motivo a não ser permitir tais atitudes datadas -- como o romance no pátio da escola, o bullying com o colega e coisas do tipo. O uso da Copa do Mundo de 1994 é jogado no lixo, logo no começo, e se torna vazio de significado. É só a deixa para a criação da copa mirim da escola.

Além disso, há algumas particularidades criadas no roteiro e que nunca são exploradas. Como, por exemplo, o tal hobbie de José Miguel em inventar brinquedos, o sumiço de seu pai e a amizade com o diretor do colégio, a tal lancheira. Qual o motivo disso tudo? É pra gastar tempo?


Por outro lado, o grande destaque positivo é o jovem Hanssel Casillas (Os Tigres Não Têm Medo). Ao contrário de atores de outros filmes sobre adolescência, como o recente nacional Em 97 Era Assim, não há exagero no tom. Casillas se apresenta na tela como deve ser. E isso, de alguma maneira, amplifica a empatia entre o público e o personagem vivido pelo jovem ator mexicano.


O restante do elenco também possui trabalhos interessantes. Loreto Peralta (Não Aceitamos Devoluções), por exemplo, se sai bem na hora de criar o tipo da menina desejada por todos os rapazes da escola -- ainda que o roteiro não a favoreça. Já Liliana é a personagem mais interessante de todas. Pena que não dão espaço para Andrea Sutton ir além com o seu tipo.


No final, vem aquele sorriso no rosto com gosto de juventude. Pode ser que, daqui algum tempo, faça parte daquele hall da fama de filmes que retratam bem épocas, sentimentos, pensamentos. Hoje, ainda é difícil cravar se ele irá emular essa nostalgia através dos anos. Por enquanto, é um acerto bonitinho e simpático da Netflix, que merece ser visto pelos que cresceram nos anos 90.

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