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  • Bárbara Zago

'É um filme cru, duro, mas que aponta para a esperança', diz Wagner Moura sobre 'Marighella'


Com alguns minutos de atraso, na recém inaugurada sala do Cine Marquise, entra Wagner Moura e o elenco do seu filme, Marighella, logo atrás. Extremamente simpático, ele é o primeiro a cumprimentar a imprensa. Com ele estão Seu Jorge, Humberto Carrão, Bella Camero, Maria Marighella, Felipe Braga, Bruno Gagliasso, Pastor Henrique e Adriana Esteves.


Antes de se acomodarem em seus respectivos lugares, Wagner Moura fala que há 2 anos recebeu um prêmio na Índia pelo filme e que gostaria de presentear Seu Jorge com ele pessoalmente.


Após o abraço dos dois, se dá início à coletiva de Marighella, filme que, por conta de uma censura burocrática, teve seu lançamento atrasado significativamente. "Foi angustiante ter demorado tanto para ter lançado esse filme. E esse abraço que a gente tem recebido das pessoas que se identificam com a causa de Marighella. Isso, para mim, é o melhor prêmio que esse filme tem recebido", conta Moura.

Sendo sua direção de estreia, conta que a escolha de um filme tão complexo veio da vontade de dirigir, que sempre existiu, e da ideia de trabalhar e desenvolver alguns poucos personagens, especialmente de "devolver a figura desse cara que foi silenciado", referindo-se ao comunista que liderou a luta armada durante a ditadura militar.


Quando questionado sobre a escolha de Seu Jorge para o papel de Marighella por conta de sua cor, Moura conta que ele não era sua primeira escolha para o papel: "Minha primeira opção era o Mano Brown, um poeta, lutador, que não fazia concessões. Brown e Marighella tinham o mesmo tom de pele. Quando ele saiu do projeto, eu só pensava que eu precisava de um ator negro. Os avós de Marighella eram escravos sudaneses. Não vou repetir o embranquecimento clássico. Quando vieram os ataques racistas à cor de pele de Jorge, eu pensei 'Nossa, cara. Eu acertei, quando eu empreteci Marighella, porque eu fortaleci Marighella”.


Marighella é um filme forte sobre a resistência e patriotismo e, apesar de se passar na década de 60, sua temática permanece atual.


Seu Jorge, que vive nos Estados Unidos há alguns anos, menciona que quando aceitou participar do projeto, reconheceu a importância, pessoal e artística, de se reconectar com o Brasil novamente: "Minha missão é promover o Brasil da melhor forma possível. Essa admiração foi colocada em dúvida nos últimos anos, que foi quando eu percebi que meu trabalho poderia ser perdido se eu não me conectasse com o meu país de novo".


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