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  • Matheus Mans

Resenha: Apesar de denso, 'Garota em Pedaços' acerta com trama urgente


Recebido da parceria com a editora Planeta de Livros, Garota em Pedaços é um livro que ficou ancorado em minha estante por um longo tempo. Eu mesmo solicitei a obra, mas fiquei com receio de ler. Por conta do clima já ruim da pandemia do novo coronavírus, tinha medo de entrar em contato com um livro que me deixasse mais pra baixo, ainda mais numa nuvem cinza.


Afinal, o tema da obra de Kathleen Glasgow é pesadíssimo. Garota em Pedaços acompanha a jornada de Charlotte Davis, uma garota de 17 anos que está passando por momentos complicados em sua vida. O pai morreu, a relação com a mãe se deteriorou rapidamente e a vida não é mais a mesma. Dessa forma, ela acaba partindo para a automutilação. Charlotte se corta.


Assim, mergulhamos na leitura em um momento em que a protagonista está em uma clínica psiquiátrica para tentar se livrar dessa dor, desse fardo. Afinal, ela não está se cortando realmente para se suicidar ou algo do tipo. Ela apenas quer ferir sua existência, se sentir viva. A partir daí, acompanhamos seu tratamento, seus pensamentos e as suas novas perspectivas.

Dessa forma, rapidamente, o livro se mostra diferente daquilo que prometia em um primeiro momento. Obviamente, pelo temo, é denso, pesado, triste. Mas vai além disso. A própria autora, a Kathleen Glasgow, passou pela dura experiência da automutilação. O livro, assim, é uma forma de aviso. Mostra que, para além desse momento sombrio, há luz por aí. Há, sim, vida depois.


A escrita é cuidadosa, delicada, sensível. Não há exageros. A jornada da protagonista -- dividida em três momentos distintos -- acaba se tornando um sopro de esperança. Há vários clichês e obviedades adotados pela autora, muito possivelmente para fazer com que a história reverbere em leitores mais jovens ou não tão acostumados com a leitura. Mas isso não atrapalha o ritmo.


Afinal, Garota em Pedaços é uma das obras mais interessantes que li nos últimos tempos sobre dilemas comumente associados à adolescência. Não há os absurdos de Os 13 Porquês, não há a rigidez literária de O Fundo é Apenas o Começo, nem a fraqueza literária de Garotas de Vidro. Há qualidade no que é visto aqui, principalmente no que concerne aos cuidados da psicologia.

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