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  • Matheus Mans

Resenha: 'Bluebird, Bluebird' é intenso e viciante livro policial


"Bluebird, bluebird, take the letter down South for me", já cantava John Lee Hooker, um dos maiores nomes do blues dos Estados Unidos. Ou, no bom e velho português, "pássaro azul, pássaro azul, leve essa carta até o Sul para mim". Oras, que carta é essa senão o excelente e surpreendente livro Bluebird, Bluebird, obra de Attica Locke publicada pela Editora Vestígio.


No caso, essa carta é uma trama policial. Intensa, moderna, reflexiva. No centro da história do livro, Darren Matthews. É o típico personagem de romances policiais: inteligente, ousado, propositivo. Mas carrega alguns fracassos nas costas, como o abandono do curso de Direito para ser um Texas Ranger -- uma espécie de policial com aura de xerife. E um casamento ruindo.


No entanto, esses pontos de inflexão em sua vida e carreira não o impedem de mergulhar de cabeça em um assassinato em uma cidadezinha no Texas. Aliás, nada de "um assassinato". Dois, na verdade. Primeiramente, de um homem negro encontrado afogado em um córrego. Depois, de uma jovem moça branca encontrada em condições similares. O que aconteceu por lá?

A partir daí, Darren precisa usar toda sua inteligência e poder de reflexão para entender a situação, compreender o cenário. Sua pele negra se torna um ponto crucial na forma que o caso é conduzido, já que ele parece ser o único realmente preocupado em entender os assassinatos como possíveis crimes raciais. É um olhar bem particular no sul racista dos Estados Unidos.


Attica Locke, enquanto isso, nos apresenta uma trama realmente saborosa, que lembra em alguma medida a escrita fluída de Harlan Coben. Os personagens são críveis, as situações são tensas e, acima de tudo, o fluxo da história contribui para que o leitor não tire os olhos das páginas. Eu, particularmente, li tudo em dois dias. É difícil não sentir esse magnetismo.


O final, enquanto isso, é o ápice. O livro se confirma como a tal carta. Parece uma mensagem não para o sul dos Estados Unidos exclusivamente, mas para todos aqueles lugares que ainda possuem uma estrutura racista e um comportamento privilegiado. Um livro policial, assim, que vai além da investigação. Palmas para Attica, uma escritora que merece ser acompanhada.

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