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  • Matheus Mans

Resenha: 'Com a Lua nos Olhos' brinca com as palavras para ir além


A Lua sempre foi motivo de inspiração para romances, poemas e poesias. Cecília Meireles versão sobre o astro noturno no poderoso Lua Adversa, enquanto Augusto dos Anjos trouxe toda a sua potência em Ao Luar. Agora, a autora Roseana Murray se debruça sobre a temática, das mais variadas formas, no gostoso, leve e fluído Com a Lua nos Olhos, da Editora do Brasil.


Ilustrada lindamente por Regina Rennó, a obra usa a Lua como ponto de partida, mas não como seu limitador. Assim, ao decorrer de 40 páginas, Murray fala sobre a Lua como cenário (Telhado, Arlequim, Poça de Luz), como ponto de partida para novas reflexões (Força da Gravidade, Lágrimas) ou, simplesmente, como a protagonista de alguma ode (Gaze ou Seda e Alegria).


No entanto, o ponto alto de Com a Lua nos Olhos é quando a autora subverte a lógica do tema e brinca com possibilidades. No delicioso Lunáticos, Roseana Murray brinca com o significado de ambas as palavras (como pode ser conferido no trecho destacado abaixo). Já em Pedaços de Espalho, figuras de linguagem ganham espaço ao carregar pedaços da Lua no bolso da calça.

E assim, variando entre estilos, formas e objetivos, Com a Lua nos Olhos se concretiza como um livro dinâmico e que mostra como um mesmo tema -- no caso, a Lua e o luar -- podem ganhar várias camadas, interpretações e olhares. Gostoso embarcar nessa viagem terrena e extraterrestre proposta pela autora, cheia de possibilidades. Um livro para viajar de uma vez.


Por fim, vale ressaltar o excelente trabalho de Regina Rennó ilustrando os poemas. Arte sobre madeira, ela conseguiu passar toda essa complexidade e diversidade proposta pela autora desde a primeira página, desde o título. Interessante notar como essa visão ampla do livro vem também na capa, com um frágil barquinho de papel contrastado com a Lua ali, logo ao fundo.


Enfim. Com a Lua nos Olhos é um livro delicioso de poemas. Ainda que uma vez ou outra a temática parece muita distante, representada apenas em um única palavra, o todo acaba ganhando força e o livro mostra como os poemas podem variar em estética, forma, estilo. É uma viagem, é uma aula, é uma leitura saborosa. Recomendadíssimo para quem gosta disso tudo.

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