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  • Matheus Mans

Resenha: 'Diários Índios', de Darcy Ribeiro, faz viagem pelo Brasil indígena


Que viagem promove o livro Diários Índios, publicação da Global Editora e escrita pelo inexorável intelectual Darcy Ribeiro. Profundo, completo e nem um pouco complexo, a obra logo de cara assusta. É um calhamaço de mais de 600 páginas e que lembra livros da faculdade, da escola e de outros momentos acadêmicos. Vai ser chato? Vai ser difícil? Não. Diários Índios é um passeio.


Afinal, aqui, Darcy Ribeiro relata sua experiência, entre os anos de 1949 e 1951, entre os Urubus-Kaapor, em plena região amazônica. Sem preconceitos ou conclusões precipitadas, ele expõe a rotina dessas pessoas, seus costumes, seus rituais e sua forma de conviver entre os seus e o ambiente externo. É uma exposição detalhada, cuidadosa e muito delicada.


Dessa forma, com uma linguagem simples e que convida o leitor a embarcar no que Darcy tem a dizer, Diários Índios vai se comprovando, a cada página virada, como um documento. Um livro importantíssimo. Afinal, com o relato acadêmico, mas leve de Darcy, é mais fácil, mais convidativo e interessante de mergulhar no que tem a dizer. Nada, nas 600 páginas, é massante.

Afinal, mais do que documentar, Darcy expõe seu fluxo de consciência e pensamentos neste formato de diário. Enriquecedor, ele permite que o leitor acesse pensamentos do intelectual como se estivesse dentro de sua cabeça nessas expedições aos Urubus-Kaapor. É um livro de duas vias, que permite a atenção detalhadas aos costumes dos índios e analisar Darcy.


Imagens, diagramas e até gráficos, incluídos nas observações e nos diários de Darcy, ajudam a dar essa fluidez e a compreender melhor o cenário que o intelectual está vivendo e analisando.


Mas o mais importante aqui, porém, é notar como o livro não envelheceu. Ainda que tenha sido escrito há 70 anos, praticamente, a obra tem muito a dizer sobre hoje, quando os indígenas estão sendo colocados cada vez mais de lado e esquecidos por governos, instituições, projetos. É, enfim, um jeito de resgatarmos nossa memória para colocar novas ideias em prática.


Por fim, pode-se dizer que Diários Índios é um livro necessário, forte, engrandecedor. Não se assuste com o título, com a assinatura do autor, com o tamanho da obra. Ela segue numa direção contrária do esperado, com leveza e uma mensagem que transcende suas páginas para nos atentarmos à vida nas aldeias. Um livro que precisa ser lido, refletido e redescoberto.

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