• Matheus Mans

Resenha: 'Eu me amo mesmo?' traz poemas modernos sobre amor próprio


Em um primeiro momento, o design de Eu me Amo Mesmo? causa estranhamento. Afinal, o livro, feito de poemas, pensamentos e reflexões da autora Andressa Gonçalves, coloca um texto por página. Muitas vezes, são textos de apenas um parágrafo. Às vezes, uma linha. Em outras, nem isso. Assim, sobra o vazio branco das finas páginas do livro, editado pelo Novo Século.


Mas logo, com o virar das páginas, fica clara a intenção de Andressa. A sensação, conforme as pensatas são devoradas, é que Eu me Amo Mesmo? é quase um convite de troca com o leitor. As páginas em branco convidam o leitor, de maneira quase natural, a completar as reflexões propostas por Andressa com seus próprios sentimentos, emoções, descobertas, pensamentos.


E são várias as sensações que pipocam com a leitura da obra. Andressa, de maneira poética, versa sobre diversos temas como relacionamentos, descobertas, empoderamento, sobre ser si próprio. Em comum, a busca por amor próprio. Afinal, só quando você se ama o bastante que consegue transbordar esse sentimento para outras pessoas e situações de maneira verdadeira.

Como diferencial, para que Eu me Amo Mesmo? não se perca num mar de outros poemas e histórias que são feitos por aí, Andressa se vale de uma série de referências modernas e que dialogam com os gostos contemporâneos. Há citações à Taylor Swift, Shakespeare, Beatles, Clint Eastwood... São diversos personagens, de várias áreas e frentes, que compõem o quadro final.


Além disso, é possível sentir um clima moderno interessante nos textos. Situações como drinks em bares, vinhos e empoderamento falam com a sociedade de hoje, sem meias palavras.


Uma pena que a parte II, chamada de Metamorfoses, com textos um pouco mais longos, acabe repetindo algumas ideias e quebrando o bom ritmo que vinha desde o começo. Não é ruim. Mas acaba não tendo um sentido direto com a leitura. É como se você estivesse no embalo ou se acostumando com um certo ritmo e, do nada, aquilo é quebrado para algo bem diferente.


Em resumo, Eu me Amo Mesmo? é daqueles livros gostosos de descobrir e de ler. Recomendo, ainda, a leitura aos poucos. Talvez um texto por dia? Ainda que você perca um pouco da unidade do texto como um todo, é interessante de ir descobrindo tudo aos poucos. E vale acompanhar Andressa Gonçalves: pelo que deu para ver nessa primeira leitura, é escritora com futuro.

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