• Matheus Mans

Resenha: 'Eu, Miep, Escondi a Família de Anne Frank' revela bastidores do diário


Desde o sucesso absoluto e quase imensurável do Diário de Anne Frank, dezenas de outras obras surgiram no mercado tentando trazer mais detalhes sobre essa garota judia que entrou no imaginário e na vida de milhões de pessoas através das páginas. Mas nenhuma dessas obras é tão interessante quanto Eu, Miep, Escondi a Família de Anne Frank, reeditada pela Vestígio.


Anteriormente publicado com o título Recordando Anne Frank, o livro é um mergulho direto nos bastidores da vida de Anne Frank e de seu dia a dia no esconderijo holandês. E não tinha como ser mais direto. Afinal, todo o livro é narrado por Miep Gies, uma então jovem austríaca naturalizada holandesa que ajudou a família Frank durante a invasão nazista em Amsterdã.


Redigido por Alison Leslie Gold, o livro se propõe a ser um relato cronológico e lógico sobre a vida de Miep e todos que circundaram o cotidiano de Anne Frank. Dessa forma, para todos aqueles que sempre quiseram saber mais sobre o que havia por trás de cada palavra e letra de Anne, principalmente partindo de um olhar próximo da garotinha, eis aqui o máximo possível.

Miep conta histórias banais, mas que dão sabor. Em outros momentos, revelas detalhes interessantes, como a organização nos quartos, a predileção de cada um pelas tarefas do dia a dia e até a forma e os locais prediletos de Anne para escrever -- como dá para perceber no trecho destacado acima. É algo que ajuda a dar profundidade ao diário escrito pela jovem Frank.


O único problema destacável na leitura é que a narrativa ficou demasiadamente parecida com uma fala, um diálogo. Ainda que seja essa, de alguma forma, a intensão, faltou à Leslie Gold um olhar mais apurado sobre a experiência de leitura. Informações repetidas, palavras que se amontoam e outros tiques comuns à fala acabam se tornando cansativos em uma leitura assim.


Por isso, pode-se dizer que Eu, Miep, Escondi a Família de Anne Frank não é uma leitura para todos -- quem não se interessa pela tema da Segunda Guerra Mundial ou não tem interesse em saber mais da vida de Anne, vai encontrar apenas uma história qualquer. Para os fãs dos temas, porém, é um livro saboroso após vencer esses vícios de linguagem. Sem dúvida, vale a pena.

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