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  • Matheus Mans

Resenha: 'Filho da Noite' é mergulho introspectivo na literatura de Antonio Calloni


Antonio Calloni é uma figura tarimbada na televisão brasileira. Afinal, ele integrou o elenco de algumas das mais interessantes e marcantes novelas do País, como 'O Clone', 'Salve Jorge' e 'Olho no Olho'. Mas, além de suas atuações na televisão e no cinema brasileiros, ele também tem seu espaço nas páginas como autor de livros como Paisagem vista do trem e A Ilha de Sagitário.


Agora, ele volta ao mercado editorial com o introspectivo e poético Filho da Noite. Aqui, Calloni junta referências, poesias e profundidades já vistas em outros trabalhos numa trama aparentemente complexa. Afinal, logo de cara, o leitor se depara com uma encadeação complicada de palavras, expressões, frases. É um mergulho complicado ao âmago do livro.


No entanto, depois de desbravada nos momentos iniciais, encontramos um livro potente, delicado, profundo. Filho da Noite, a partir de uma narrativa fragmentada, fala sobre a vida e a morte. Sobre as alegrias e as tristezas de estarmos vivos. Sobre ser livre e sobre ser cativo. Sobre a sanidade e a loucura. Sobre ser e não ser. Sobre se perder e, também, se encontrar.

A chave do livro, porém, é se permitir pensar. É preciso embarcar nas reflexões propostas pelo autor, nem sempre fáceis, compreensíveis ou de fácil aceitação. A partir disso, criar um diálogo para entender melhor o que está sendo proposto, o que pode vir a acontecer nesse mar de acontecimentos e, até mesmo, compreender os seus próprios pensamentos a partir do outro.


Tudo isso com uma narrativa poética marcante, mergulhada em metáforas e comparações, que nos ajudam a sair do lugar-comum para encontrar reconforto no estranho e até perturbador.


Enfim, Filho da Noite é daqueles livros que sabemos que não é para todo mundo. No entanto, não ouso dizer para quem é. Afinal, assim como a narrativa mergulha no lado mais introspectivo do autor, a história também nos provoca a mergulhar no nosso. Talvez, num primeiro momento, parece uma leitura distante do que procuramos. Mas, no final, pode ser tudo que precisávamos.

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