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  • Matheus Mans

Resenha: Intenso e humano, 'Tudo que é Belo' é leitura necessária


A cabeleireira do David Bowie. A mãe de um garoto transsexual. Uma viúva. Um ator coadjuvante "morto" por Anthony Hopkins em O Silêncio dos Inocentes. John Turturro. Um engenheiro nuclear no meio do caos de Fukushima. Essas são apenas algumas das pessoas que contas as suas histórias em Tudo que é Belo, livro que reúne 45 relatos demasiadamente humanos.


Editado por Catherine Burns e publicado no Brasil pela Todavia, o livro é um compilado de histórias contadas durante um tipo de evento cultural -- chamado The Moth -- no qual pessoas comuns, ou não, compartilham suas histórias de vida. O cerne da questão aqui é saber storytelling, para ter domínio sobre o leitor/ouvinte e fazer com que sua história ganhe força.


Assim, ao contrário do que pode parecer num primeiro momento, Tudo que é Belo não é apenas um compilado de discursos ou coisas do tipo. Muito pelo contrário. O texto daqui consegue traduzir não apenas as palavras dos contadores de histórias, como também a emoção e o tom de cada uma delas. Você sente as histórias, as vive de verdade. É como se fosse uma conversa.


E nada melhor do que dar uma pausa na fantasia e na ficção e conhecer um pouco de histórias do mundo real. Algumas, aqui, são dignas de épicos fantasiosos (como a tal história do engenheiro que estava dentro da usina de Fukushima na hora do terremoto), mas a maioria são tramas que poderiam ser vividas por mim, por você, por seu vizinho, por seu melhor amigo.


"Mas o que aconteceu naquele verão foi o seguinte: o mundo está sempre tentando te dizer quem você não é. E cabe a você dizer o que você é"

Tudo num clima de bate-papo descontraído, como se você estivesse sentado com aquelas pessoas numa mesa de bar. São histórias que, de alguma forma, você leva para a vida toda.


Dentre as 45, destaco algumas: À Procura de Chad, sobre uma busca (e encontros) inacreditáveis; A Garota de Beckenham, sobre a cabeleireira que deu o tom vermelho no cabelo de Bowie; Névoa da Descrença, do engenheiro; As Duas Vezes que Encontrei Lawrence Fishburne, sobre a improbabilidade do destino; Sem Título, sobre uma viagem de Louis CK à Rússia; Déjà Vu, sobre autoconhecimento; e Pode me chamar de Charlie, sobre o bizarro.


Enfim. São várias as histórias, várias as vidas que ganham cor na tinta que é impressa nas páginas dos livros. E assim, aqui se faz o que George Martin falou em uma de suas milhares de páginas de Game of Thrones: um livro nos faz viver muitas vidas. E Tudo que é Belo realiza isso com louvor. Nos coloca no Japão, na Inglaterra, nos EUA, na África. Nos viver, entender, ser.


Não há nada mais bonito do que isso numa leitura, que nos humaniza e faz nos entender. Por isso, quando puder, reserve um tempo para ler Tudo que é Belo. Vai te deixar transformado.

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