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  • Matheus Mans

Resenha: 'Nona Casa' é intensa aventura de realismo mágico


A literatura infantojuvenil e "young adult" teve um boom de histórias sobre magia e distopias recheadas de fantasia entre os anos 2000 e 2010, quando títulos como Jogos Vorazes, Eu Sou o Número Quatro, Crepúsculo e, é claro, Harry Potter ganharam o público e o topo das vendas. No entanto, uma enxurrada de produções tentando copiar esse sucesso acabou derrubando a continuidade desse gênero na boca do povo. Agora, porém, um título vem com força: Nona Casa.


Escrito por Leigh Bardugo, a obra acompanha a protagonista Alex, uma jovem que vive em um mundo em que a nossa realidade se confunde com a fantasia. Fantasmas, por exemplo, circulam entre nós, ainda que nem todos possam ver. Alex, que tem essa habilidade, acaba se tornando peça central nessa sociedade fantasiosa. Ela, afinal, fica responsável vigiar todas as Nove Casas fundadas em Yale, cada uma responsável por um tipo de magia diferente.


Ainda que siga a fórmula da Jornada do Herói, com detalhes muito bem definidos em cima desse tipo de história que inspirou de Harry Potter à Star Wars, Nona Casa rapidamente consegue se desvencilhar de muito desse conteúdo que já foi feito aos borbotões por aí. Leigh Bardugo, afinal, não cai em maniqueísmos fáceis ou bobagens narrativas que não avançam. Ela compreende sua personagem, assim como JK Rowling dominou Potter, e a amplifica.

Afinal, ainda que a magia, a fantasia e o romance existam na trama, os problemas mostrados em Nona Casa não poderiam ser mais mundanos. Afinal, Alex, a protagonista, precisa lidar com problemas como violência, homicídio, estupro e vício em drogas -- afinal, fica aqui o aviso de que esses temas são tratados sem nenhum pudor na obra, ok? Dessa forma, nada de desafios restritos ao mundo mágico. Leigh faz essa troca entre real e fantasia se tornar mais potente.


Interessante notar, também, a influência dessa magia na vida real, coisa que nem Harry Potter, nem As Crônicas de Nárnia e outros livros sobre mundos mágicos foram além. Aqui, de alguma forma, a magia é utilizada para driblar coisas do dia a dia, como o segurança da festa ou até mesmo a queda da bolsa de valores. São mundos entrando em conflito, cada um com suas dores e problemas. São dilemas morais e sociais muito bem postos pela autora nas páginas.


Uma pena, porém, que haja alguns exageros. A história vai além do que precisava e de jeito algum precisava de mais de 500 páginas. No entanto, a sementinha está plantada em Nona Casa. Difícil se desvencilhar da vontade de continuar acompanhando essa história tão real, mas tão mágica. Um mundo novo a ser explorado e, quem sabe, que pode resgatar o poder das histórias mágicas nas prateleiras de casa. A história é boa. E tem potencial de sobra.

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