• Matheus Mans

Resenha: 'Nossa casa está em chamas' examina vida e família de Greta Thunberg


A ativista sueca Greta Thunberg está vivendo um momento de amor e ódio. Por um lado, políticos extremistas e negacionistas do aquecimento global a atacam de todas as formas possíveis e imagináveis -- hipócrita, pirralha e por aí vai. Por outro lado, ambientalistas veem na menina a possibilidade de conseguir levar a mensagem contra o aquecimento global por aí.


E o livro Nossa casa está em chamas, escrito pela mãe de Greta, Malena Ernman, ajuda o público a ter uma visão mais clara sobre a formação da ativista e detalhes sobre sua família. Dividido em capítulos rápidos e curtos, como num formato de diário, a obra faz um passeio pela infância de Greta, o diagnóstico do autismo e a relação da menina com o ativismo ambiental.


É interessante notar essa jornada pelo olhar atento da mãe -- que, também, é uma famosa cantora sueca. Greta, a irmã Beata e o pai Svante Thunberg são retratados no dia a dia, prontos para desfazer mitos que foram criados nos últimos anos ao redor da família. Interessante notar algumas dinâmicas particulares de cada um e coisas que, até então, não haviam sido reveladas.


No entanto, não adianta: por mais que Nossa casa está em chamas tenha Greta como "protagonista" natural, após os acontecimentos climáticos em 2019, o grande foco do livro são as mudanças ambientais em curso ao redor de todo mundo. E nisso, o filme tem acertos e erros. Ao mesmo tempo que fala de coisas interessantes, também se perde em dados exagerados.

- Podemos escrever algo sobre você? - Não - responde Greta secamente. - Vai ter um monte de coisa privada e outras coisas mais tarde. A estafa da mamãe e tudo mais que todo mundo adora ler sobre gente famosa. Este é um livro sobre o clima e é pra ser chato. As pessoas que aguentem.

Malena, por não ser escritora, não consegue deixar as informações saborosas e acessíveis -- como Al Gore, por exemplo, conseguiu fazer no excelente documentário Uma Verdade Inconveniente. Falta a sensibilidade para chegar perto do público que lê o livro e a mensagem se perde. O pai ainda tenta avisar sobre isso, mas Greta bate o pé -- como se lê acima. Uma pena.


Ainda assim, vale destacar que o livro sensibiliza sobre algumas coisas pouco discutidas. A história do avião, tão repetida por Greta no livro, é o ponto alto. Eu nunca parei pra pensar nisso.


Dessa forma, Nossa casa está em chamas desperta sentimentos mistos -- assim como Greta, hoje em dia. Por um lado, é interessante saber mais sobre a vida dessa jovem ativista ambiental, considerada a pessoa do ano pela revista Time. Mas, por outro lado, não atinge seu principal objetivo de sensibilizar as pessoas sobre o aquecimento global acelerado que vemos por aí.


Falta didatismo, falta um cuidado maior na escolha das palavras. No final, fica a sensação de que Nossa casa está em chamas poderia ter ir muito além. Um discurso de Greta é mais potente do que o livro, no geral. E, com isso, vem a decepção. Mas caso você, leitor, queira mergulhar mais na vida da ativista ambiental, vai fundo na leitura. Encontrará detalhes e muito mais.

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