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  • Bárbara Zago

Resenha: 'O Palhaço e o Psicanalista' dialoga com efeitos mentais da pandemia


Por conta das inúmeras consequências da pandemia, vimos uma valorização da saúde mental e um aumento da procura por psicólogos. O isolamento nos fez aprender a lidar com a própria companhia e, dentro desse processo, também fomos obrigados a olhar para nossas angústias. E por mais simples que pareça, escutar-se pode ser uma tarefa desafiadora. Todavia, o livro da Editora Planeta chega com uma proposta para isso.


O Palhaço e o Psicanalista, do Selo Paidós, foi lançado em 2019 e relançado agora, em 2021. Nele, temos dois autores: o psicanalista Christian Dunker e, como se pode imaginar, o palhaço Cláudio Thebas.


Logo nos primeiros capítulos, contam que o primeiro encontro entre os dois se deu a partir de um convite de Thebas à Dunker para participar de um projeto chamado Escola de Pais. Em seguida, Dunker retribuiu e o chamou para um curso na Casa do Saber. Após diálogos e reflexões, perceberam que o palhaço e o psicanalista tinham mais em comum do que se pensa.

Por mais que a comparação soe estranha num primeiro momento, percebe-se que tanto o palhaço quanto o psicanalista trabalham com uma escuta empática, ou "espécie de brincadeira séria que transforma as pessoas". Durante todo o livro, os autores se intercalam na escrita dos capítulos e se aprofundam na problemática da ausência da escuta e como fazer para melhorar isso.


Ainda que o livro tenha sido escrito há dois anos, parece bastante propício para o momento atual: um isolamento social que segue há um ano. E por mais que a escuta pareça exclusivamente ligada ao outro, os autores falam sobre algo voltado para o interno, ao si mesmo, afinal, quem menos se escuta, mais precisa ser escutado.


A proposta de O Palhaço e o Psicanalista é de ser uma conversa informal. Em parte funciona, pois torna a linguagem, especialmente da Psicologia, mais acessível ao público leigo, porém por vezes cai em uma espécie de academicismo e até numa certa didática - o que faz sentido, visto que Christian Dunker é professor titular do Instituto de Psicologia da USP. Mesmo assim, é uma leitura bem humorada e agradável, que promove uma reflexão.

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