• Matheus Mans

Resenha: 'Planeta Estranho' se diverte com as bizarrices humanas


Cabeça grande, olhos expressivos, braços e pernas finos, pele azulada. Essas são as curiosas criaturas do divertidíssimo e surpreendente Planeta Estranho, livro de tirinhas que reúne várias situações em que esses alienígenas vivem coisas banais do dia a dia na Terra. Passam aspirador, colhem flores, fazem carinhos em gatos, trocam presentes, conhecem vizinhos...


E apesar da banalidade dessas situações, Planeta Estranho não poderia ser mais engraçado. Com um humor afiado e uma saborosa ironia, Nathan W. Pyle -- que reúne mais de 5 milhões de seguidores no Instagram do Strange Planet -- mostra o absurdo de algumas dessas situações. Qual o sentido de pôr flores mortas no vazo? De arrumar a cama? De embalagem de presentes?


Pyle, por meio dessas simpáticas criaturinhas, ri das bizarrices humanas e ressalta a nossa pequenez. Até mesmo coisas que fazem sentido -- como exame oftalmológico ou pedir pizza -- se tornam alvo do humor cáustico das tirinhas. Difícil passar mais de uma página sem dar uma vigorosa gargalhada, rindo do que nos cerca e do que acontece dentro de nossas casas.

E aí, durante a leitura, fica a pergunta: como Pyle consegue isso? Como desperta humor, diversão e o sentimento de pequenez apenas replicando nossos costumes em seres cabeçudos?


E a resposta é clara: por conta da linguagem. Pyle, brilhantemente, coloca uma linguagem que mistura termos extremamente formais com neologismos das próprias criaturinhas. Isso causa uma estranheza simpática, fazendo com que o leitor analise a situação como um todo. É uma cadeia de acontecimentos divertida, sensorial e que despertar emoções em poucos quadrinhos.


A vontade, no final, é ler mais e mais e mais de Planeta Estranho. Pena que a leitura seja tão rápida, coisa de minutos. É um livro que, com humor e graça, nos faz compreender melhor quem somos, o que é ser humano, como agimos. A partir do riso e da estranheza, nos entendemos. Compreendemos cada gesto, atitude. E assim, rimos dessa nossa existência.

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