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  • Matheus Mans

Resenha: 'Por um Corredor Escuro' traz boa opção de terror para adolescentes


Curioso como são poucos os livros de terror que pensam naqueles leitores mais novos. Não necessariamente crianças, que até encontram obras com contos infantis sobre monstros e assombrações. Mas aquele pré-adolescente, que gosta de personagens fortes e, de vez em quando, quer ler algo que cause um frio na espinha -- experiência bem diferente dos cinemas, por exemplo, que se tornaram ponto de encontro de grupos de adolescentes rindo do horror.


Por um Corredor Escuro, da já falecida escritora Lois Duncan (do célebre Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado), felizmente é uma boa opção para esse jovem que quer um terror bem escrito, com bons personagens, mas sem atingir um nível de Stephen King ou Joe Hill de sustos. É uma escrita leve e fluída, pensamento justamente nesses leitores mais jovens, mas que já começam a se importar mais com os personagens, com a trama e com seu desfecho.


Aqui, acompanhamos a jornada de Kit Gordy, uma jovem garota que é levada para um internato após a mãe e o novo padrasto decidirem fazer uma viagem de Lua de Mel pela Europa. No entanto, nada daqueles acampamentos de férias ou coisas do tipo. Em Por um Corredor Escuro, acompanhamos o cotidiano da nossa protagonista no internato Blackwood. Espécie de castelo, o local abriga uma história sinistra, funcionários estranhos e um clima bizarro paira o ar.

É ali que Kit, ao lado de suas novas amigas, começa a enfrentar uma espécie de ameaça sobrenatural. Uma das colegas desenvolve uma assustadora habilidade de desenho, a outra vê uma figura que ninguém mais enxerga em noites frias (e escuras). É uma história saborosa, que Duncan sabe contar bem. Ao contrário de outros autores de horror e suspense, ela não deixa todas as respostas para o final. Ela vai contando tudo aos poucos, a conta-gotas. É bom de ler.


Além disso, ainda que as personagens coadjuvantes não tenham tanto espaço na história, o desenvolvimento de Kit é gostoso de acompanhar. Lembrando o próprio desenvolvimento de Harry Potter, vemos essa garota se desenvolvendo junto com a escola. O ambiente vai moldando sua personalidade. Duncan, que já tinha mostrado sua habilidade em criar personagens com Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, mais uma vez cria um personagem querido.


No final, ficamos com aquela sensação de livro inofensivo, mas que desenvolvemos certa afeição. Duncan olha para um público carente por essas histórias, enquanto também mostra como o ambiente escolar pode ser desafiador e, ainda assim, nos ensinar muitas coisas. Um livro certeiro para os mais jovens, com 12 ou 13 anos, que não querem mais saber de literatura infantil, nem de romances bobinhos -- ainda que este tenha uma pitada. Vale a pena a leitura.

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