• Matheus Mans

Resenha: 'Taça Escarlate' se aprofunda na força da mulher



Geralmente, as resenhas aqui no Esquina são impessoais. Falo com distanciamento, fazendo uma análise sobre a qualidade da escrita e dos contos. Como é tradicional na maioria dos veículos de mídia. No entanto, para falar de Taça Escarlate, vou fazer diferente. Vou falar sobre minha experiência direta com esse livro de contos, escrito pela paranaense Luciane Monteiro.


Recebido a partir da parceria com a editora InVerso, Taça Escarlate foi um livro que me despertou certo distanciamento desde o começo. A capa, o conteúdo, a sinopse. Tudo levava a crer que aquele livro não era para mim. Afinal, é uma reunião de contos sobre mulheres. A ideia, segundo texto da contra-capa, é falar de anseios da mulher, "buscas, batalhas, descobertas".


E aí, antes de virar a primeira página, veio a dúvida: o que esse livro tem a ver comigo?


Rapidamente, porém, essa sensação foi deixada de lado. Por mais que eu não seja mulher e não tenha experienciado absolutamente nada que Monteiro fala em seus textos, mergulhei de cabeça na leitura. Taça Escarlate, no final das contas, é um livro para todos e que coloca uma lupa -- cada vez mais necessária -- sobre o empoderamento feminino na sociedade machista.



Afinal, ainda que não me identifique intimamente com os escritos de Monteiro, vi ali minhas avós, minha mãe, minhas amigas, minha namorada. As mulheres que convivi e que me orgulho.


Taça Escarlate, ao falar sobre gravidez, solidão, amor, reencontros e sonhos, falou com a minha "vida ao redor". Afinal, ao longo de 30 textos, Monteiro se aprofunda em temas universais, que fazem sentido para qualquer um que mergulhar nas páginas do livro. É um livro sobre mulheres, não para mulheres. Essa diferença é essencial na hora de compreender e entender a obra.


Além disso, vale ressaltar, Taça Escarlate não se vale apenas de contos óbvios, do mesmo tamanho e impacto. Monteiro alterna sensações, emoções e tamanhos -- as histórias variam de um parágrafo para até mais de 20 páginas. Isso dá dinamicidade ao livro, que poderia se tornar refém de um marasmo pela monotemática. Você termina o livro com boas experiências.


Enfim: Taça Escarlate é um livro que vai além das aparências. Longe de ser uma obra extremamente focada, traz diferentes visões sobre um tema para diferentes tipos de público. É um mergulho literário que, no final das contas, oferece uma experiência inusitada e profunda. Afinal, com contos delicados e sensíveis, Taça Escarlate vai mexer com as emoções de cada um.


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