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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'As Cores do Mal: Vermelho', da Netflix, é suspense polonês razoável



Estamos tão acostumados a assistir produções polonesas ruins na Netflix, que chega a ser uma grande surpresa quando um filme apenas razoável chega ao catálogo. As Cores do Mal: Vermelho é um casso assim: estreia da gigante do streaming da última quarta-feira, 29, o longa consegue ser correto em tudo que se propõe, ainda que nunca chegue, de fato, ao brilhantismo.


Dirigido por Adrian Panek (do estranhíssimo Natureza Selvagem), o novo longa-metragem da Netflix começa, de fato, quando o corpo de uma garota (Zofia Jastrzebska) é encontrado em uma praia da Polônia -- com os lábios arrancados a estilete. Agora, a mãe da vítima (Maja Ostaszewska) e um procurador (Jakub Gierszal) tentarão descobrir o que realmente aconteceu.


As Cores do Mal: Vermelho nunca se arrisca para além da cartilha dos filmes policiais. Panek, sem muito talento, traz tudo aquilo que esperamos: uma protagonista em uma situação extrema, um crime repleto de incertezas, vilões estereotipados para todos os lados. Para além disso, o diretor ainda acrescenta doses de sexo e violência -- algo cada vez mais distante no cinema policial americano, que se policia para conseguir um espaço maior nos streamings.


O fato é que hoje vivemos uma escassez preocupante de filmes de mistério e suspense. Se olharmos para as produções de 2024, temos o fraco A Teia e o tenebroso Miller’s Girl como os principais lançamentos. Uma situação bem mais medíocre se compararmos com o ano passado, quando tivemos o classudo A Noite das Bruxas e até Batem à Porta, de Shyamalan.



Tempos ruins, maré de azar? Difícil decifrar o que se passa. Mas As Cores do Mal: Vermelho, apenas por fazer o arroz com feijão bem feito, já dá alguns passos à frente dessas outras produções medíocres de 2024. Panek não tem medo de chocar, com cenas de nudez e de violência explícita. Sabe que o mistério não está apenas na sugestão, mas também no choque.


Sem dúvidas, seria um filme muito melhor nas mãos de um bom cineasta. Afinal, Panek não consegue aproveitar os meandros do roteiro, escrito por ele e por Lukasz M. Maciejewski, com as idas e vindas do texto, as elaborações temporais. É um filme que acaba sendo chapado demais, flat, e que não se aproveita das surpresas. Ainda assim, tem algo de bom no fundo.


As Cores do Mal: Vermelho não tem classe na condução, nem sequer tem controle narrativo a ponto de brincar com os aparatos narrativos de seu texto, mas faz tudo de maneira correta e, acima de tudo, indo além daquela higienização exagerada que toma conta do cinema de hoje.


É um filme "sujo", que maltrata seus personagens, e que busca ir fundo na podridão humana que nos cerca. Isso, por si só, já coloca o filme um degrau à frente do que estamos vendo no cinema de mistério em 2024. Mas, além disso, é razoável em sua história, deixando qualquer um preso em suas reviravoltas -- e chocado com o plot twist final. De novo: está longe, bem longe de ser espetacular ou coisa do tipo. Só que sabe fazer o básico bem feito. Isso basta.

 

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