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  • Matheus Mans

Crítica: Em 'Richthofen', ficção dá mais camadas ao crime bárbaro


Recentemente, o crime cometido por Suzane von Richthofen voltou a ganhar as páginas literárias. No caso, o péssimo livro Suzane: Assassina e Manipuladora, onde uma ficção pobre se fantasia de jornalismo literário para narrar os últimos momentos dos pais da criminosa. Por isso, que boa surpresa encontrar a reedição de Richthofen, uma ficção inspirada no crime.


Aqui, o autor Roger Franchini faz o caminho inverso do outro livro citado: ele parte dos fatos reais do crime cometido por Suzane von Richthofen para aplicar um verniz de ficção -- algo que é deixado claro desde a primeira página. No caso, a vida do investigador Eduardo, um antigo policial do Campo Belo que sente um verdadeiro ímpeto de mergulhar nessa nova história.


Afinal, enquanto o Brasil entra em ebulição com o caso da menina que matou os pais, Eduardo vê seu emprego no plantão do Campo Belo se esvair enquanto um novo delegado chega por ali. Essa é a importante oportunidade de solucionar uma intrincada história de inveja, ciúmes e corrupção por baixo dos panos, escondida no meio do noticiário e do crime sanguinário.

E assim, dessa forma, Franchini cria uma saborosa ficção em cima dessa história já tão conhecida por brasileiros. Enquanto a inventada trama sobre Eduardo vai trazendo os elementos clássicos do gênero policial, com abusos dos personagens, corrupção e colegas novatos, a vida e os detalhes do assassinato de Marísia e Manfred vão povoando a história e dando camadas.


Por isso, é uma experiência deveras diferenciada. Por meio da ficção, Franchini -- que se mostra um escritor de mão cheia do gênero -- dá camadas e ângulos nunca antes visto para essa história já tão explorada. É interessante e curioso ver os bastidores da polícia, mesmo que ficcionais, saltando nas páginas e dando novos olhares pra história. Ótimo jeito de ficcionalizar.


Além disso, são interessantes alguns elementos trazidos pela trama e que sempre são apenas salpicados em outras obras -- como a corrupção desenfreada de Manfred no comando da Dersa.


Por isso, Richthofen é uma forma do leitor mergulhar na história da família assassinada por Suzane e os irmãos Cravinhos enquanto se depara com uma deliciosa ficção policial, que instiga e provoca aos moldes de livros de Rubem Fonseca. É estilosa, é interessante, é instigante. É uma maneira, enfim, curiosa e diferenciada de entender um dos maiores crimes brasileiros.

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