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  • Matheus Mans

Resenha: 'Microscópio' é livro delicioso de ser lido


Os microcontos são pequenas histórias, geralmente do tamanho de um parágrafo, que surpreendem pelo poder de síntese. Ali, em poucas linhas, o autor consegue emular emoções, sentimentos, dores, alegrias e até surpresa. Por isso, é deliciosa a aventura pelas páginas de Microscópio, novo livro de Delma Maria Lucchin e que mergulha no formato de microcontos.


Com um design curioso, que ajuda o leitor a embarcar no clima dos microcontos, Microscópio não tem um único tema como guia. Aqui, a linha de coesão é o formato, que vai caminhando pelos mais variados gêneros, tons, direções. A cada virada de página, muda o sentimento do leitor. E essa dinamicidade, rara de ser vista por aí, desperta-se imediatamente o interesse.

Alguns dos microcontos de Delma são românticos, outros até mesmo evocam suspense. Uma outra parte faz rir, um punhado dá medo. A cada leitura, uma descoberta, uma sensação. O poder de síntese da autora salta aos olhos e é impressionante como Delma consegue criar uma narrativa, com começo, meio e fim, mantendo sentido e até aprofundando alguns personagens.


No meio dos vários microcontos, também é possível encontrar um tipo curioso de micro-poesia. São os chamados microletrados, contos breves que repetem a primeira letra em todas as palavras. Ou seja: a autora se desafia a fazer um microconto de uma determinada letra e, ali, faz poesia. Quebra a sequência de vários microcontos e aumenta rapidamente a dinamicidade.


Ou seja: Microscópio é um livro curioso, divertido, interessante, dinâmico. Mesmo tendo apenas pouco mais de 100 páginas e com seus contos não passando do tamanho de um parágrafo, há intensidade na história que é contada. Mas o mais importante é a montanha-russa de emoções: é raro encontrar um livro que acerte tanto e em tão pouco tempo. Uma leitura rara e deliciosa.

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