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  • Matheus Mans

Oscar 2022: apostas de indicados na premiação do cinema

Atualizado: Ago 9


O Oscar 2022 está longe. Bem longe. Afinal, está marcado para acontecer só no final de março de 2022. Tem muita água para rolar e nem sabemos ao certo como serão escolhidos os indicados do ano que vem -- afinal, em 2021, por causa da pandemia do novo coronavírus, a Academia aceitou filmes até fevereiro. É uma premiação incerta, até mais do que a deste ano.


No entanto, ao longo do ano, sempre vemos aqueles filmes que tem "cheiro" de Oscar. São aquelas produções que tem tudo para participar da premiação. E como ano passado assistimos filmes como Druk, Nomadland e Meu Pai bem antes da estreia em cinemas, por meio de festivais internacionais, o Esquina este ano tem essa postagem de apostas, alimentada o ano todo.


Ou seja: não vamos colocar aqui, de jeito algum, filmes que não estrearam ou que não vimos. São só produções que já contam com nossa opinião criada, consolidada. Por isso, não temos todas as categorias logo de cara. Vamos aumentando a lista conforme o ano for passando e as coisas ficarem mais claras. Volte sempre aqui! Teremos sempre novidades nas previsões.


Melhor Atriz Coadjuvante


- Olga Merediz, por Em Um Bairro de Nova York. Esta aposta é um tiro no escuro, já que Em um Bairro de Nova York não teve a recepção positiva que se esperava, além de ter algumas polêmicas -- o fato da ausência de representatividade negra entre latinos, por exemplo, é um problema grave no filme. No entanto, depois de ter recebido um Tony por sua atuação na versão do filme para a Broadway, Merediz vem com mais força para o Oscar de Atriz Coadjuvante.


Melhor Documentário


- Flee. É bem difícil que Flee, longa-metragem que foi exibido no Brasil em ocasião do É Tudo Verdade, não fique com uma das cinco vagas em Melhor Documentário. Por meio de técnicas de animação, o filme conta a história de um refugiado afegão que tem um passado que prefere esquecer. Afinal, entre sua infância e adolescência, teve que conviver com governos violentos, o sumiço do pai, terrorismo e, enfim, uma fuga desesperada para salvar a própria pele. Filmaço.


- Val. Outro filme que tem grandes chances de chegar como concorrente na categoria é Val, documentário sobre a vida de Val Kilmer hoje em dia. Selecionado para exibição no Festival de Cannes, o longa-metragem tem algo que a Academia adora: uma história de superação com um nome da própria indústria -- isso sem falar que o filme é realmente impactante. O que joga negativamente é o fato de ser uma produção do Amazon Prime Video, bem mais restrita.


Corre por fora na categoria: Seaspiracy, da Netflix; The Day Sports Stood Still, da HBO; Pray Away, da Netflix.


Melhor Animação


- A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas. Depois de uma premiação fraquíssima nessa categoria em 2021, é praticamente impossível a ausência dessa produção da Sony/Netflix em Melhor Animação no Oscar de 2022. O longa-metragem, que segue os passos do oscarizado Homem-Aranha no Aranhaverso, é bonito visualmente e tem uma história impactante. É difícil não ser indicado no prêmio de 2022. E, desde já, arrisco dizer: deve ser um dos favoritos.


- Raya e o Último Dragão. Tem como essa animação da Disney ficar de fora do Oscar 2022? Ainda que tenha sido lançada bem depois que o Oscar encerrou o período de elegibilidade, o longa-metragem manteve as atenções voltadas para si nos meses seguintes e fez uma boa bilheteria nos cinemas dos Estados Unidos. Além disso, é quase impossível que os votantes da Academia ignorem uma das produções da Disney, por mais que a concorrência seja boa.


- Luca. Já a Pixar deve fazer companhia ao outro filme da Disney, Raya e o Último Dragão, com o singelo Luca. De mensagem forte, ainda que não totalmente intencional, o longa-metragem apresenta uma delicadeza acima da média ao contar a história desse garotinho-monstro que quer viver fora da água, seu ambiente natural. Cheio de metáforas, bons personagens e uma ambientação na Riviera Italiana que deixa tudo ainda mais interessante. Concorrente certeiro.


- Vivo. Animação da Sony Pictures e que, assim como A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas, foi vendida de última hora para a Netflix. Com trabalho de voz do celebrado Lin-Manuel Miranda, o longa-metragem conta uma história bonitinha e simpática que consegue divertir e emocionar. Conta como ponto positivo a trilha sonora original, alavancando a presença do filme. Mas a mesmice da história, e a distribuição pela Netflix, pode enfraquecer o longa.


Correndo por fora na categoria: Flee, filme que falamos mais em Melhor Documentário.


Melhores Efeitos Especiais


- Godzilla vs Kong. O histórico é relativamente positivo. Afinal, ainda que os dois filmes de Godzilla tenham sido sumariamente ignorados pela Academia, Kong: Ilha da Caveira recebeu uma merecida indicação na categoria de Melhores Efeitos Especiais. Arrisco dizer que Godzilla vs Kong deve ter a mesma atenção. Afinal, não é sempre que dois monstros gigantes se enfrentam dessa maneira. E convenhamos: há um cuidado marcante na recriação desse mundo.


- Passageiro Acidental. Para falarmos de indicações recentes, O Céu da Meia-Noite e Gravidade estão aí para provar: a Academia adora indicar, nesta categoria, filmes que tratam da solidão em contraste com o espaço. Passageiro Acidental não é o filme mais badalado da Netflix nesse sentido, nem é unanimidade. No entanto, a força dos efeitos especiais na sequência final devem garantir uma vaga na categoria -- ainda que haja muita, muita ameaça pelo caminho em breve.


Correndo por fora na categoria: Mortal Kombat, da Warner Bros.; Oxigênio, da Netflix; Army of the Dead, da Netflix; O Esquadrão Suicida, da Warner Bros.


Melhor Figurino


- Cruella. É impossível que o live-action fique de fora. Afinal, o histórico é positivo: a Academia sempre fica de olho em produções sobre moda em Melhor Figurino (vide Trama Fantasma e O Diabo Veste Prada) e a Disney conseguiu indicações na categoria com seus live-action -- A Bela e a Fera, Cinderela, Alice no País das Maravilhas e Malévola. Agora, Jenny Beavan, que venceu por Mad Max: Estrada da Fúria e Uma Janela para o Amor, vai colocar mais uma no currículo.


Correndo por fora na categoria: Em um Bairro de Nova York, da Warner Bros.


Melhor Design de Produção


- Cruella: Enquanto Melhor Figurino é uma certeza para o live-action da Disney, esta categoria é um pouco mais arriscada. Afinal, os live-action da Disney não contam com um retrospecto tão positivo (Alice no País das Maravilhas levou e A Bela e a Fera foi indicado) e Fiona Crombie, responsável por esse setor em Cruella, tem apenas uma indicação ao Oscar por A Favorita. Além disso, há de se considerar candidatos bem mais fortes, como A Crônica Francesa e até Duna. Mas, ainda assim, a bela ambientação do filme pode arrebatar os votos da Academia em 2022.


Correndo por fora na categoria: Em um Bairro de Nova York, da Warner Bros.


Melhor Música Original


- "Home All Summer", de Em um Bairro de Nova York. A única música do longa-metragem que pode concorrer na disputada categoria de Melhor Canção é Home All Summer, composta por Lin-Manuel Miranda especialmente para o filme -- o restante vem do musical da Broadway, as deixando automaticamente de fora. O fato de não ser a melhor música da produção, além de ficar apenas nos créditos, tira a força da "candidatura". No entanto, por ter Miranda por trás da composição, podendo completar seu EGOT, deve fazer com que seja, ao menos, indicada.

- "Inside Your Heart", de Vivo. Parece que só existe Lin-Manuel Miranda fazendo músicas em filmes. O ator, diretor, músico e roteirista pode emplacar uma indicação dupla com In the Heights e com Vivo, esta singela animação da Netflix/Sony. A principal cotada para aparecer na lista de Melhor Música Original é a bonita Inside Your Heart, com Gloria Stefan. Ou seja: além de ter Miranda por trás, a música ainda garantiria uma performance para chamar a atenção do público.


Melhor Trilha Sonora


- Vivo. E que tal uma indicação tripla para a animação da Netflix? Com uma trilha sonora totalmente original, composta por Lin-Manuel Miranda e Alex Lacamoire, o longa-metragem sai na frente de outros competidores -- ainda mais se realmente emplacar as indicações em Melhor Animação e Melhor Canção Original. No entanto, será difícil o filme sair laureado também nesta categoria, geralmente mais complicada e voltada para trilhas mais densas e complexas.


Melhor Som


- Em um Bairro de Nova York. É bem difícil que filmes de guerra e musicais comentados no ano não emplaquem indicações na categoria de Melhor Som -- que vai para o segundo ano unificando Mixagem e Edição. Em um Bairro de Nova York deve garantir a lembrança, ainda que alguns problemas possam comprometer o filme. Em determinada cena, por exemplo, a música não sincroniza com a boca do personagem de Lin-Manuel Miranda. Problemático, no mínimo.


Correndo por fora: Um Lugar Silencioso: Parte II, da Paramount.


Melhor Documentário em Curta-Metragem


- The Year Earth Changed. Apesar de ser uma categoria extremamente difícil de prever, com indicados geralmente vindos de festivais, Melhor Documentário em Curta-Metragem pode contar com The Year Earth Changed na lista. Produção da Apple, o curta-metragem mostra os efeitos da pandemia na natureza. As imagens são deslumbrantes, a produção é sob medida. No entanto, vale lembrar que é uma categoria pouco previsível e a Apple, até agora, patinou no Oscar.


- Audible. Este curta da Netflix pode ser considerado o mais certeiro na categoria. Afinal, além da gigante do streaming ter um bom background nesta área nos últimos anos, pode-se dizer que Audible é um dos curtas documentais mais originais e experimentais dos últimos anos -- o que, infelizmente, pode contar pontos negativos na Academia, dado o conservadorismo do setor. Mas a história de uma equipe de surdos jogando futebol americano é encantadora e "premiável".


Correndo por fora na categoria: The Last Cruise, da HBO.

#Cinema #Filme #Oscar

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